Bairros

Falta d’água muda rotina de bauruenses

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Pular o banho, acumular roupa para lavar, deixar o quintal sujo. Os cerca de 40 mil moradores da região noroeste de Bauru estão adequando o dia-a-dia à falta d’água que atinge bairros como Jardim Vânia Maria, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges e Jardim Petrópolis há quase uma semana. Ontem, dois caminhões-pipa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) forneceram água para os moradores. Ainda não há previsão de normalização. E mesmo com o abastecimento racionado, o Jornal da Cidade flagrou gente desperdiçando água. No Jardim Petrópolis, um rapaz aproveitou que o fornecimento tinha voltado por algumas horas e, de mangueira aberta, lavava seu carro na rua.

Um problema no poço localizado nas proximidades do Distrito Industrial 3 provocou a interrupção do fornecimento para a região noroeste. Quando o abastecimento foi retomado, a água chegou barrenta às residências. O DAE então isolou o poço e a região passou a ser atendida pela unidade do Núcleo Gasparini. A origem do problema ainda não foi detectada e até que ele seja sanado, os bairros da área noroeste continuarão sofrendo com abastecimento intermitente.

No final da tarde de ontem, a dona de casa Ana Valeriano, com ajuda de suas filhas fez diversas viagens entre a sua casa e o caminhão-pipa, que permaneceu estacionado na quadra 2 da rua Francisca Marta Izidoro, no Parque Jaraguá, ontem. Apesar de não ser uma caminhada longa, ela mora apenas a uma quadra e meia de onde estava o veículo disponibilizado pelo DAE, o esforço exauriu as moradoras. “E eu ainda vou passar a madrugada acordada, cuidando de uma idosa”, conta.

A casa de Ana é pequena, tem apenas um banheiro, mas é abrigo de nove pessoas. “Imagina um lugar onde mora tudo isso de gente ficar sem água?”, questiona. A rotina da residência teve que se adaptar à falta de fornecimento. “A água que lava roupa, é usada para lavar o quintal. A água de lavar a louça, depois é usada para dar descarga no banheiro”, relata.

Tomar banho na residência, só ela e o marido. E de caneca. Os mais jovens procuram casa de amigos e parentes fora do bairro. “Comida, só estou fazendo uma vez. Faço o almoço e requento a janta”, conta. Ela lembra que não é a primeira vez que fica sem o fornecimento. “Mas nunca ficamos tanto tempo assim sem água”, diz.

Quando a reportagem contou que no bairro vizinho um rapaz aproveitou que a água tinha voltado para lavar o automóvel, ela se desesperou. “Era só o que me faltava. A gente se matando atrás de caminhão-pipa e ele jogando água em cima de carro?”, critica.

Acostumado a madrugar todos os dias, o confeiteiro Diogo da Costa Arthuso Antônio, 24 anos, tem acordado cerca de duas horas mais cedo nos últimos cinco dias. “Desde sábado, a água só vem de madrugada e mesmo assim, sem força para encher a caixa. Então eu acordo às 3h para encher os baldes”, relata o rapaz que mora no Parque Jaraguá há 20 anos.

Ele e a esposa também não lavam roupa desde sábado, para economizar água. “Mas agora, não tem mais jeito. Vamos ter que lavar alguma coisa”, afirma. O quintal da casa também foi deixado de lado e o jardim não foi aguado recentemente. “Ainda bem que choveu. Senão, ficaria sem”, lamenta. Para economizar água, Antônio e sua esposa vão até a casa da sogra, no Jardim Bela Vista. “A gente gasta um pouco de combustível, mas é a única saída”, diz.

Na casa de madeira bastante antiga da idosa Marcelina de Jesus, baldes e bacias com água eram guardados em cima de uma mesa na cozinha pequena. Para economizar, ela conta que deixou de tomar banho anteontem. A prioridade era do filho, pedreiro. “Ele chega cansado, sujo. Precisa tomar um bainho”, conta a mulher, que nem se recorda com precisão a idade que tem.

Consternado com o caso de Marcelina, um funcionário do DAE despejou dezenas de baldes na caixa d’água da residência. “Hoje (ontem) eu vou tomar um banho bem gostoso”, diz.

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Adutora

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) iniciou a complementação de uma adutora de emergência. O prolongamento de 831 metros na rede já existente será efetuado entre as quadras 2 e 8 da rua Nelson Bonachela, no Núcleo Alto Alegre. Ontem, os funcionários da autarquia instalaram 250 metros de tubulação.

E os dois caminhões pipas de seis mil litros cada um continuarão a atender a população. Um veículo ficará na quadra 2 da rua Francisca Marta Izidoro, no Parque Jaraguá. O segundo será deslocado para a rua Joaquim Radicopa, quadra 4, no Jardim Vânia Maria. Os moradores também poderão ligar no 0800-7710195 para agendar limpeza das caixas d’água.

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