A falta de asfalto também provoca insatisfação nos moradores. Quem anda pelas vias de terra da Pousada da Esperança percebe a dificuldade de locomoção. Ruas esburacadas, cheias de pedras, fazem com que os veículos andem aos solavancos. Os ônibus que transitam pelo local por vezes tem de mudar seus itinerários, sendo que em certos dias não podem nem ir até o final de seu percurso habitual, já que as vias tornam-se intransitáveis. “Nem de bicicleta dá pra andar aqui”, comenta Maria Aparecida Guimarães, citando os filhos como exemplo. E completa: “Em dia de chuva ficamos isolados. E eu dependo de ônibus”. Israel Cirino completa: “Imagina a dificuldade de uma ambulância para chegar até aqui”.
Ele explica que quando a prefeitura faz a terraplanagem a situação melhora um pouco, mas logo vem a chuva e o problema reaparece. “A chuva destrói e fica tudo do mesmo jeito. Há anos é assim. Passam a máquina, a niveladora, a rua fica boa, joga terra, mas a chuva leva tudo embora”, conta. E se em época de chuva a situação se complica, com o sol e calor os problemas não deixam de aparecer. “Perto da EMEI Valéria de Oliveira Asenjo, por exemplo, devido à falta de pavimentação, quando passa algum carro a poeira acaba entrando até na sala de aula, o que também faz mal para a saúde das crianças”.
Verba
De acordo com o vereador Natalino, o município recebeu verba de 300 mil reais, através do deputado federal Sérgio Nechar, do PV, para a pavimentação da Pousada da Esperança, e as obras devem acontecer ainda esse ano. Contudo, o prefeito faz uma ressalva, dizendo que antes de asfaltar as vias do bairro, as galerias são prioridade. “Não posso entrar com o asfalto sem as galerias senão a erosão engole o bairro todo. Por isso vamos implantá-las, seguindo com o asfalto, mas somente em uma parte, porque hoje não temos recursos suficientes para fazer o bairro todo”, responde.
Agostinho explicou que a verba será suficiente para asfaltar apenas 8 ou 9 quadras, já que cada uma tem um custo de R$ 32 mil para a administração. Contudo, explicou que, pela emenda, o recurso ainda está apenas reservado para o município, que agora deve elaborar o projeto a fim de conseguir sua liberação, através do Ministério das Cidades.
Enquanto a verba não sai, o prefeito informou que nas próximas semanas deve ser feita a terraplanagem nas ruas do bairro. Os trabalhos tiveram que ser adiados por conta das chuvas dos últimos dias.
Aparecida também reclamou da falta de iluminação, especialmente no trecho que liga a Pousada ao Núcleo Gasparini, onde seus filhos estudam. O acesso é uma faixa de terra, que não conta sequer com residências, o que torna-se um risco para aqueles que precisam passar pelo local. “Meus filhos passam por lá porque vão na escola a pé no Gasparini. Já que não tem asfalto, eles deviam pelo menos ligar a luz ali. Dois estudam à noite e eu vou buscar todo dia, porque eu não confio. Eu me arrisco, mas vou. Até debaixo de chuva. Você tem que arriscar, é seu filho”.
O medo da mãe tem justificativa, já que Cirino comenta que no local já ocorreram estupros e até homicídios, devido às condições de abandono. “Você vê turmas de estudantes passando nesse trecho, porque tem que estudar no Gasparini. E os jovens ficam expostos, principalmente as meninas. Quem mora aqui tem que estudar aqui e não lá”.
O comentário ilustra outra das reivindicações dos moradores, que pedem a instalação de novas escolas e creches, a fim de facilidade o acesso à educação, bem como instalação de área de lazer. Segundo Cirino, alguns alunos acabam não freqüentando regularmente a escola, devido a dificuldade de locomoção. “Tivemos uma reunião com a Majô (Jandreice, secretária de Educação de Bauru) e ela nos falou sobre o plano, de escolas que estão construindo, reformando, mas é tudo projeto para mais de um ano. O Posto de Saúde também foi fechado na administração passada, porque o prédio era alugado. Agora queremos encontrar um novo prédio, para tentar reabrir o posto aqui”, explica.