Política

Hospital Unimed realiza com sucesso primeira captação múltipla de órgãos

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

Cinco pessoas devem ser beneficiadas pela solidariedade de uma família que perdeu um ente querido. Depois de passar 20 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Unimed de Bauru (HUB) por conta de um AVC hemorrágico, um homem de 52 anos, de Jaú, teve decretada a sua morte cerebral na tarde de anteontem e a família consentiu que fígado, rins e córneas fossem encaminhados para doação.

A captação múltipla foi a primeira realizada pelo HUB, única unidade particular do Interior do Estado conveniada ao programa de transplantes do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento ocorreu entre 13h e 16h de ontem. Segundo comentado pela família aos médicos, o jauense já havia manifestado seu desejo de doar os órgãos.

O fígado foi retirado por uma equipe vinda de São Paulo e encaminhado ao Hospital Albert Einstein. O transporte foi realizado por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Já as córneas foram encaminhadas ao Banco de Olhos em Botucatu, enquanto os rins permanecerão em Bauru até identificação do receptor, de acordo com a lista de espera e compatibilidade. O prazo para o transplante é de 30 horas. Cada rim e cada córnea será transplantado em uma pessoa diferente.

A lista de pessoas à espera de transplantes é centralizada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), obedecendo a critérios específicos para o recebimento dos órgãos doados. Primeiro são verificados os potenciais receptores no Estado de origem da doação. Caso não haja compatibilidade, o órgão segue para a lista de espera nacional.

O HUB está credenciado no SNT desde 2007. Do ano passado até ontem, foram 19 captações de córnea. Para o médico Aparecido Donizete Agostinho, coordenador da captação de rins da unidade, a integração de um hospital privado à rede de transplantes demonstra um amadurecimento no serviço de captações. “Bauru está hoje em uma situação privilegiada. Poucas cidades com o mesmo porte tem três hospitais aptos (Hospital de Base, Hospital Estadual e HUB) a esse tipo de trabalho”, considera.

Sensibilização

O passo mais importante após o fechamento do protocolo médico que comprova a morte encefálica do potencial doador e as condições favoráveis dos órgãos para transplante, é a abordagem da família.

Para Telma Gobbi, presidente do Hospital Unimed de Bauru (HUB), diante de um momento e decisão tão difíceis, ainda são poucos os familiares que concedem a doação dos órgãos. “Nunca é fácil para a família tomar essa atitude, então precisamos sensibilizá-la de que a morte pode fazer algo de positivo na vida de outras pessoas, apesar da dor daquele momento”, aconselha.

Segundo dados da médica Amélia Trindade, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO), apenas cinco pessoas tiveram seus órgãos doados, entre as 70 possíveis na região. “Esse ano já foram quatro doações. Esperamos superar, com certeza, o número vergonhoso do ano passado”, espera. “Precisamos trabalhar a questão da doação com as pessoas, esclarecer os procedimentos e fazer com que todos discutam o assunto”, completa.

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