Regional

Mãe acusa pai de ser agressivo

Carlos Demarchi
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí – Uma personalidade agressiva e ameaçadora. Assim a doméstica Anedina Santos define as características do marido, o pintor José Florentino dos Santos, de 58 anos. No último sábado, uma discussão familiar levou José a matar o próprio filho, Wellington Rosa dos Santos, em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru). O crime assustou a cidade de 22.014 mil habitantes.

Anedina e José viviam juntos e moravam sob o mesmo teto, com três filhos, incluindo os gêmeos Wellington e William Rosa dos Santos. As relações familiares iam bem até sete anos atrás. Depois, o pintor passou a ter uma amante e sentir ciúmes do filho. O rapaz tinha amizade com a mulher, que era gentil com ele, segundo declaração da mãe. Apesar da relação fora do casamento e da traição, a doméstica continuava morando com o marido. “Ele dizia que se fosse colocado para fora de casa, ele me mataria”, relata.

As ameaças ao filho eram constantes. Há vários meses, uma das discussões culminou com uma facada desferida pelo pai na mão do jovem. “Uma vez a amante pagou um sorvete para o menino e eles discutiram. Foi quando começou a briga mesmo”, lembra. Segundo a família, os filhos da amante também não aceitavam a relação amorosa.

Dependente de bebidas alcoólicas, o pintor passou a ter um temperamento bastante agressivo, mesmo em ocasiões banais. A esposa conta que foi agredida em várias situações, até os filhos crescerem. “Ele era ignorante. Uma simples TV ligada já era motivo para discussão e agressões. Ele sempre falava que ia matar o filho. Fizemos vários boletins de ocorrência”, relata a doméstica. Outra postura de José era ter sempre facas e objetos cortantes à mão. Os objetos ficavam debaixo do travesseiro. “No trabalho e fora de casa ele era bom, mas não custava para ele puxar a faca. Era fácil arrumar briga com ele”, comenta a mulher. “Você coloca um filho no mundo e cria um filho com tanto amor e carinho e depois o pai mata. Como um pai pode fazer isso?”, lastima a mãe.

Assassinato

Na manhã do último sábado, o casal dormia quando os filhos gêmeos começaram uma conversa sobre uma camiseta que usariam. José teria se irritado e passado a reclamar que queria dormir. Como o rapaz retrucou que não havia se esquecido da facada que havia tomado em uma das mãos do pai e que contaria as ameaças para a Polícia, o pintor saiu do quarto com um facão. Sem chances para Wellington se defender, José desferiu uma facada no abdômen do jovem, mesmo com o outro irmão tentando evitar a tragédia. Em seguida, José saiu correndo. “Fiquei paralisada. O menino não fez nada contra o pai, que ia por cima dele pelas palavras”, conta a doméstica. O jovem ficou deitado no chão com muito sangue após a facada. Ao contrário do registrado no boletim de ocorrência, a família nega que tenha havido um empurrão na hora do crime. Apesar de ser socorrido, o jovem morreu na Santa Casa de Lins. Uma das vizinhas, que preferiu não dizer o nome, disse que era muito difícil lidar com José. “Ele era muito ruim e maltratava muito a família e os filhos, agredindo-os com ferramentas”, conta.

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