Bairros

Bomba está furada e região noroeste continua sem água

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A bomba do poço do Distrito industrial 3 de Bauru está furada. O equipamento foi retirado por um guindaste, juntamente com quase 200 metros de tubulação, na manhã de ontem. Quando veio à tona, funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) perceberam a existência dos furos. Agora, técnicos da autarquia irão verificar se existe relação entre esse fato e o problema do poço, que está fora de operação desde o início da semana passada porque a água sai com muita areia. Para atender a população da área noroeste, de cerca de 40 mil pessoas, que permanece sem abastecimento contínuo, o DAE disponibilizou um terceiro caminhão-pipa para levar água aos moradores.

Após a retirada do equipamento, será realizada a filmagem de dentro do poço, a “endoscopia”. Para uma filmagem mais nítida, a empresa que está executando o serviço recomendou aguardar a decantação da água suja. Para contribuir com a limpeza da água, foram adicionados produtos químicos, entre eles, sulfato de alumínio.

A previsão é que hoje cedo o serviço seja executado. Se nada for apontado, e o problema for somente a bomba, o DAE informou que possui um equipamento reserva, que poderá ser instalado no local, enquanto o outro é reparado.

Na tarde de ontem, uma equipe da autarquia realizou alguns procedimentos no poço. “Agora executamos serviços na tentativa de fazer a camada de pré-filtro baixar”, explica Wilson Dionísio, assessor da presidência do DAE. Uma das hipóteses para o problema é que em algum ponto do poço houve um deslizamento e a camada de pré-filtro deixou de conter a areia, que passou a ser sugada pela bomba. Por isso, os funcionários utilizaram um equipamento para fazer vibrar o poço, com o objetivo de fazer essa camada, que é composta de areia mais grossa, descer e fechar o buraco.

Enquanto o problema do poço permanece sem solução, moradores da área noroeste chegam ao 10.º dia sem água na torneira. O pedreiro Manoel Guardia conta que além das torneiras secas em sua casa, no Jardim Petrópolis, também enfrenta a falta de abastecimento no seu trabalho. “Hoje (ontem) tive que voltar porque não tinha água para fazer a obra”, conta.

No Parque Santa Edwirges, moradores da alameda Atenas recorriam até a carriolas com baldes para conseguir levar para casa o máximo de água do caminhão-pipa. “Tem que economizar. Já tomei banho na casa de vizinhos. Ontem (anteontem) fiquei esperando a água vir para tomar banho. Não veio e eu tive que pular”, conta o aposentado Jacinto Alves.

A dona de casa Luzia Rodrigueiro acumula roupas para lavar. “Tem que acordar de madrugada se quiser lavar louça, roupa”, diz. O banho também ficou para mais tarde. “A água só chegou ás 3h, aí deu para tomar banho”, revela.

O DAE complementou sábado uma adutora de emergência. O prolongamento da tubulação permite levar água de outra parte da cidade à região noroeste. Mas como ainda é insuficientem, três caminhões-pipas de seis mil litros cada um estão atendendo a população da região noroeste. Os veículos passam por bairros como Jardim Vânia Maria, Jardim Petrópolis e Vila Lemos. Os moradores também podem ligar no 0800-7710195 para agendar limpeza das caixas d’água.

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Entenda o caso

Um problema no poço do Distrito Industrial 3 provocou a interrupção do fornecimento de água para a região noroeste da cidade, onde vivem cerca de 40 mil pessoas. Quando o abastecimento foi retomado, a água chegou barrenta às residências. O DAE, então, isolou o poço e a região passou a ser atendida pela unidade do Núcleo Gasparini. A origem do problema ainda não foi detectada e, até que ele seja sanado, os bairros da área noroeste continuarão sofrendo com abastecimento intermitente.

Em funcionamento desde 1996, o poço de 400 metros de profundidade é um dos cinco maiores da cidade, com vazão de 200 metros cúbicos de água por minuto.

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