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Polícia abrirá inquérito para apurar crueldade contra gatos

Por Lígia Ligabue | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Se depender da Polícia Civil, quem matou cruelmente dois filhotes de gato anteontem na Vila Independência, em Bauru, não ficará impune. Após ler no JC de ontem que dois animais foram achados enforcados e pregados numa tábua, o delegado Dinair José da Silva, do 1.º Distrito Policial, adiantou que é prioridade apurar o caso. Ele espera que hoje a gestora de conteúdo de Internet Sandra Maria Caetano, que cuida de gatos abandonados e denunciou o crime à imprensa, compareça na delegacia para registrar em boletim de ocorrência o que sabe sobre o caso.

Ao JC, Sandra disse que hoje vai à delegacia prestar queixa, apesar de ter tido receio de denunciar a matança de gatos no bairro – os dois filhotes achados mortos na segunda-feira não foram os primeiros. Silva ressaltou que a investigação é prioridade porque, além de maltratar animais ser um crime ambiental, há pesquisas que indicam que autores de atrocidades contra bichos também podem atacar pessoas. “Os gatos já morreram, mas o autor ou autores deste crime podem agredir pessoas”, ressaltou.

Além de procurar a Polícia Civil para que o caso seja apurado, Sandra e sua vizinha Maria de Fátima Rafacho planejam realizar uma manifestação na Vila Independência. “Queremos fazer um ato contra a crueldade praticada contra animais e pela posse responsável”, disse. As patas dianteiras dos filhotes foram cravadas em tábuas, com pregos de cerca de 10 centímetros. Um deles, malhado de branco e preto, teve a barriga cortada e as entranhas expostas.

Infelizmente, segundo Sandra, a câmera do sistema de videomonitoramento próximo onde os gatos foram achados mortos na segunda-feira pela manhã não filmou o crime.Sandra, que cuida de gatos abandonados há sete anos, calcula que há uns oito meses os animais que zela começaram a aparecer machucados. Uma gata surgiu há algumas semanas com um pedaço de madeira introduzido em seu ânus e um filhote teve o rabo praticamente arrancado.

A responsável pela Sociedade de Proteção Ambiental Mountarat, Damair Pereira de Almeida, avalia que o autor do crime deve pertencer a uma família desestruturada. “É uma pessoa que deve vir de uma situação de abandono, que não recebeu amor e civilidade”, pondera. Para Maria Dolores Barbosa Gomes, da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), cabe ao Judiciário punir os responsáveis. “Estou depositando mais uma vez, embora com medo de ser desapontada novamente, fé na Justiça. Maus-tratos a animais é crime e deve ser punido”, enfatiza. A Mountarat e a Uipa colaboram com a posse responsável de animais promovendo a castração de cães e gatos.

A publicitária Marta Vieira Caputo enfatiza a necessidade de propagar o fato de que há pena para esse crime. “Esse caso é inaceitável, porque é lei. Maltratar é crime e dá prisão. Essa é a mensagem que devemos propagar e fazer chegar até esse agressor”, destaca.

De acordo com o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, maltratar, ferir ou mutilar animais é crime com pena de três meses a um ano de detenção e multa. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a agressão provocar a morte do animal.

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Outros casos

Nos últimos anos, dois casos de maus-tratos denunciados pela Organização Não Governamental (ONG) Naturae Vitae foram repercutidos pelo Jornal da Cidade. Em fevereiro de 2007, o dono de um rottweiller que morreu em 2006 em decorrência de maus-tratos foi condenado a pagar uma quantia de R$ 500,00 como punição pelo ato.

A sentença foi dada pelo promotor João Henrique Ferreira, do Juizado Especial Criminal da 3.ª Vara do Fórum de Bauru, após um acordo entre as partes. Em dezembro de 2007, uma cachorra boxer foi resgatada pela ONG após denúncia de maus-tratos.

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