Turismo

Mordomias no verão

Eliane e Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 7 min

Os cruzeiros oferecem mordomias, conforto, diversões e boa comida que nenhum outro local em terra pode oferecer. A lista de passageiros do Interior paulista que aprovou o atendimento a bordo é imensa.

O custo/benefício é alto, com a vantagem do passageiro ainda poder desfrutar de passeios diferentes em cada parada do navio.

Um dia em Búzios, outro em Cabo Frio, no dia seguinte em Parati, Ilhabela e Santos, onde tudo se inicia e acaba, cidade-praiana tradicional para os paulistas e que também tem suas atrações.

Este roteiro tem sido o preferido em turismo embarcado, mas há ainda rotas para o Nordeste e para o Sul, com esticadas a Montevidéu, Buenos Aires e até o extremo da Patagônia Argentina, em Ushuaia, o “fim-do-mundo”.

Alfredo Lopes e a esposa Cinira, de Jundiaí, diziam com orgulho estar em seu nono cruzeiro, desta vez no gigante de 70 mil toneladas que leva 2 mil passageiros e 700 tripulantes de 52 diferentes nacionalidades.

Depois que começaram a fazer turismo de navio, há quase dez anos, nunca mais utilizaram outro meio.

São até conhecidos dos músicos e cantores acostumados a assumir contratos com as empresas de cruzeiros, para shows diários.

Amizade e bebida com moderação

Eles sempre se cruzam nas temporadas, e se tornaram fãs dos músicos e cantores de MPB que se apresentam nos bares mais intimistas dos transatlânticos. O “Splendour”, por exemplo, tem um teatro de 1.200 lugares, com espetáculos de revista montados especialmente e renovados todas as noites. A bordo não faltam música, fantasias, cores, luzes, coreografias e humor.

Há ainda piano-bar, banda na piscina e DJ na discoteca. Tudo incluído o preço, exceto a bebida, cujo preço é alto para os nossos padrões. A estratégia é impedir que muita gente encha a cara e crie problemas. Tomar um porre é quase impossível com os preços tão salgados. Uma latinha de cerveja pode custar o equivalente a R$ 12,00, uma caipirinha, R$ 16,00. Não é permitido levar bebidas a bordo. Álcool é proibido para menores de 21 anos. Para os mais abonados há champagne de 75 dólares e conhaque Louis XIII, da Remy Martin, com cem anos de envelhecimento a 112 dólares a dose. É dose para milionário...

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De Titanic ao “palácio de cristal”

Os personagens vividos por Kate Winslet e Leonardo Di Caprio, no “Titanic”, jamais poderiam imaginar que fosse possível tamanho progresso, conforto e segurança nos transatlânticos que conhecemos hoje.

No “palácio de cristal” como é chamado o“Splendour of the Seas”, um dos 20 navios da frota da Royal Caribbean, é possível fazer massagens com pedras quentes, praticar alpinismo no meio do oceano, fazer compras numa série de lojas, desfrutar de boa variedade gastronômica e participar da diversidade cultural representada pelos passageiros, artistas dos shows e tripulantes. O inglês é a língua padrão, mas todos entendem o português, ou pelo menos se esforçam. Por força de lei, 25% dos tripulantes são brasileiros quando o navio faz temporada no Brasil.

Segurança e respeito

Há um respeito muito grande aos padrões de comportamento. Isso significa que a cortesia impera no tratamento interpessoal. A segurança é responsabilidade de todos, mas existem os agentes do navio, treinados para agir discretamente, se necessário. Estão antenados 24 horas por dia. As convenções do mar advertem que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas prejudica o discernimento e reduz a capacidade do indivíduo de perceber e evitar situações potencialmente perigosas.

Num ambiente confinado e com quase 3 mil pessoas em circulação surtos epidêmicos são possíveis. A melhor maneira de impedir doenças é evitar a disseminação. Avisos nos navios chamam a atenção para certos cuidados, como lavar as mãos com sabão e água quente. Na porta dos restaurantes são distribuídos lenços umedecidos com desinfetantes. Há empregados constantemente limpando os corrimãos das escadas e maçanetas das portas.

Sem balanço

Os transatlânticos são dotados de estabilizadores, asas que se abrem no casco do navio abaixo da linha d’água. Às vezes, a gente nota o seu balançar, mas não é nada que incomode. Para os poucos que ficam “mareados” ou são acometidos de alguma doença, há um mini-hospital, com equipamentos modernos para exames clínicos, radiografia, medicamentos e tudo o mais, com a assistência de médios e enfermeiros treinados para emergências.

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Edifício na água

O Splendour of the Seas (Esplendor dos Mares), de 70 mil toneladas, é o maior navio que navega neste verão nas costas brasileiras. É acionado por cinco motores diesel de 16 mil cavalos cada um. São 28 mil cavalos para tocar cada hélice de 5,7m de altura e mais de 19 toneladas. O conjunto de motores daria para iluminar uma cidade como Bauru. Há também motores laterais para facilitar a atracação nos portos, sem necessidade de rebocadores. A âncora pesa 12 toneladas.

Na cozinha, 86 cozinheiros e 12 especialistas em comida brasileira são responsáveis por 20 mil refeições diárias. Para se ter uma idéia, a cada cruzeiro, a cozinha do navio utiliza 20 mil ovos em suas receitas de doces e salgados.

Todos os dias, os passageiros recebem na cabina um jornal com as atividades a bordo, ofertas das lojas e descontos no drinque do dia, nos salões de beleza e spa, os shows com seus horários e outras notícias. Há um canal de televisão próprio, com entrevistas com os passageiros, com o capitão e abordagem de assuntos de interesse como instruções de desembarque. Muitas perguntas feitas pelos turistas são respondidas pelo diretor de cruzeiros. Algumas são muito curiosas, como o passageiro que perguntou de onde vinha a energia elétrica do navio. Certamente não é de uma tomada no porto de Santos porque daria muito trabalho para os marinheiros cuidarem de desenrolar o fio. Outro perguntou se a água do sanitário é salgada. Independentemente de alguém tenha provado é verdade que o Splendour produz a sua própria água-doce potável, por dessalinização feita mediante captação em alto mar, onde não existe poluição. Os navios também são abastecidos nos portos com água comprada. Todos os dias, os laboratoristas do transatlântico fazem análises da água nos tanques e nas torneiras para se assegurar da sua qualidade.

Quando o Splendour foi lançado ao mar, em 1995, a um custo de 400 milhões de dólares, era considerado o maior do mundo. Hoje, o recorde está com o “Freedom of the Seas”, também da Royal Caribbean, que tem 160 mil toneladas, 63 metros de altura - equivalente a um prédio de 20 andares - e capacidade para 4 mil passageiros. Há até um piscina de ondas para surf. Existe outro em construção, o “Oásis of the Seas”, maior ainda, com ruas de comércio a céu aberto. O orçamento da sua construção em estaleiros franceses é de 1 bilhão e 200 mil dólares. Esses gigantes dificilmente poderiam navegar no Brasil, por falta de calado nos nossos portos e outras condições técnicas.

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Vision of the Seas em 2010

Se as informações aguçaram sua vontade de cruzar os mares, saiba que a Royal Caribbean International apresentará uma novidade para a temporada de 2009/2010: a estréia do Vision of the Seas, com 20 saídas do porto de Santos, em São Paulo, para cruzeiros de três e quatro noites.

Este será o segundo navio da companhia com roteiros regulares no verão do País.

Integrante da classe Vision, da qual também fazem parte Enchantment, Grandeur, Legend, Rhapsody e Splendour, o Vision of the Seas tem capacidade para 2.076 hóspedes e conta com uma estrutura que integra parede de escalada, piscina coberta, quatro jacuzzis, academia e spa completos.

As viagens para a temporada 2009/2010 já estão à venda, com valores a partir de US$ 299 (por passageiro, roteiro de três noites, em cabine interna).

• Serviço

Representante exclusivo no Brasil: Sun & Sea (11) 3156-5600 www.royalcaribbean.com.br

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