O médico pediatra Donizetti Troijo conta que, há cerca de 20 anos, cerca de 7% dos recém-nascidos apresentavam refluxo gastro-esofágico, termo usado quando o alimento que está no estômago volta até o esôfago, às vezes até a boca, impedindo a passagem de ar, o chamado refluxo. Atualmente, o índice é de 14% e os bebês prematuros são os que apresentam o problema com mais freqüência.
Segundo o pediatra, vários fatores influenciam neste percentual, como o maior número de bebês prematuros que hoje sobrevivem a correria da vida moderna.
Além do vômito, há outros sinais de que uma criança está apresentando refluxo gastro-esofágico: chorar durante toda a noite, soluçar constantemente, jogar o corpo para trás por estar sentindo dor e até fome excessiva. “Existem crianças que mesmo quando a mãe tem boa quantidade de leite pede mais. Ela quer se alimentar para tirar a dor de ardor do esôfago”, explica o médico.
O diagnóstico pode ser apenas clínico, baseado no exame físico do bebê e na descrição dos sintomas, ou por meio de exames como raio-X do sistema digestivo, pHmetria do esôfago (exame que permite ao médico avaliar o refluxo de material ácido contido no estômago), entre outros.
Nos casos mais graves, o pediatra pode receitar antiácidos, medicamentos anti-refluxo, produtos para engrossar um pouco ou leite ou manipulações anti-refluxo, informa Troijo. Para atender esse número de bebês com refluxo gastro-esofágico, o mercado se adaptou. Segundo o médico, hoje existem travesseiros inclinados e almofadas para serem colocadas embaixo do colchão do berço.
“Nós, médicos, aconselhamos, além do uso do travesseiro ou da almofada, a inclinação do berço em aproximadamente 30 graus. Além disso, o melhor lado para a criança dormir é o esquerdo, o lado do coração”, finaliza Troijo.