Se formos analisar a situação do Noroeste hoje, seria óbvio dizer que “quase não há mais salvação”, muito embora eu acredite sempre, como noroestino rubro, na salvação.
Mas a mistura de sentimentos é flagrante: por que ir ao Alfredão ver o seu time perder? Eu não vou ao cinema ver filme romântico, meloso, porque eu não gosto.
Então, usando o mesmo raciocínio - e comparando os preços “das diversões” -, eu não iria mais ao Alfredão. Porém, eu não amo o cinema.
Não assisto novelas... elas me fazem me sentir idiota. Seguindo o mesmo raciocínio, não vou mais assistir aos jogos do Noroeste. Mas eu não amo novelas...
Não leio livros de auto-ajuda. Desisto logo de cara, por isso, nem compro. Seguindo o mesmo raciocínio, não comprarei mais nenum ingresso para ver o Noroeste. Mas eu não amo livros de auto-ajuda.
Agora, me pergunto: o que me faz renovar as esperanças e ir - de novo - ao Alfredão ver meu Noroeste jogar? Simples: é o amor que tenho por esse clube. Esse clube que meus avós (ferroviários) ajudaram a construir. Clube que, por ser quase centenário, numa cidade de 111 anos, confunde sua história com a dela.
À luz da razão, entendo: um time que não chuta a gol, não pode galgar nada, só pode ficar mesmo como está, diante de um prenúncio quase certo de fracasso.
Assim como alguém que nao estudou nada achar que vai passar num concurso público. Não dá. Só com muita sorte. E é esse elemento subjetivo - a sorte - que está faltando ao Noroeste.
Quando um time está bem, a bola bate na canela de alguém e entra. No nosso caso, a bola bate nas canelas e some, se perde... como nossas esperanças.
Acreditar no Noroeste ainda é, hoje, como acreditar em quem lhe traiu, acreditar numa promessa de “isso nunca mais vai acontecer”.
Acho que é esse sentimento que me faz comprar outro ingresso e estar lá no Alfredão, de novo, para ser “traído”.
É. O amor é inexplicável.
Tentou Vinícius de Moraes: “Para viver um grande amor, é preciso muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso.”
Continua inexplicável.
E eu continuo acreditando. Mas à luz da emoção. Da paixão - inexplicável - pelo Noroeste. Onde ele estiver.”
Ubirajara Corrêa de Oliveira Jr., Bira