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A história não pode ser renegada

Ademir Elias
| Tempo de leitura: 1 min

Sou amigo do Roque Ferreira há muitos anos, mas nem por isso vou deixar de me manifestar, no campo das idéias, sobre as declarações dele, publicadas nos jornais de Bauru e numa revista de circulação nacional. Discordo frontalmente quando ele diz que “o racismo que existe no Brasil é fruto dos abismos econômicos que separam as classes sociais”. A combinação das desigualdades econômicas, de gênero e raça, é que produzem uma distancia social entre negros e não-negros que só pode ser corrigida com políticas e investimentos públicos que garantam educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis, para beneficiar negros e brancos pobres e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, onde está contemplada a política de cotas para afrodescendentes nas escolas públicas. Defendo as cotas, por um determinado período, a título de reparação rápida, da dívida que o País tem com os negros. Aliás, a implementação de cotas nas universidades públicas não é nenhum favor, é uma obrigação do Governo Brasileiro, que é signatário da Conferência Mundial de Durban, em 2001, na África, quando ficou definido que todos os países que exploraram a escravidão seriam obrigados a implantar as políticas de reparação, às quais eu me referi. Na minha avaliação, quando o Roque diz que as pessoas não são discriminadas pelo tom de pele ele está renegando um passado histórico, quando por mais de 200 anos, durante o período pós-industrial os negros foram explorados e sequer participaram do processo de construção da sua cidadania. Até hoje a cor da pele é um fator determinante na exclusão nas mais diversas camadas sociais.

O autor, Ademir Elias, é presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra

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