Internacional

Por reconciliação, premiê abdica


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Gaza - Num gesto que pode facilitar a formação de um governo de unidade na Cisjordânia e na faixa de Gaza, o primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, renunciou ontem, defendendo a “reconciliação nacional’’. O grupo rival Hamas, no entanto, minimizou o anúncio.

Fayad - economista educado nos EUA - fora indicado premiê pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em junho de 2007, depois que o rival islâmico Hamas tomou à força o controle da faixa de Gaza. A disputa acabou criando uma divisão administrativa entre os palestinos: um governo na Cisjordânia - liderado pelo partido secular Fatah, de Abbas e Fayad, e reconhecido pelo Ocidente e por Israel - e outro em Gaza, sob o comando do Hamas.

Nas últimas semanas, os dois partidos vêm ensaiando uma reconciliação e se comprometeram a formar um governo de união nacional provisório até a convocação de novas eleições, em 2010, mas o acordo vem sendo travado por exigências dos dois lados. Uma nova reunião bilateral está marcada para terça-feira, no Egito.

Em comunicado, hoje, Fayad disse que sua renúncia tem o objetivo de abrir caminho para “formar um governo de coalizão” e que ele pretende deixar o governo até o final de março. Abbas, no entanto, pediu que ele ficasse até o final das negociações.

O Hamas, que tem como premiê Ismail Haniyeh, desconsiderou a renúncia, alegando que a indicação de Fayad ao cargo de premiê e sua gestão foram inconstitucionais. “Este governo não trabalhou pelo bem dos palestinos, e sim por sua própria agenda (política). Esse era o fim esperado para um governo ilegal”, disse o porta-voz do grupo, Fawzi Barhoum.

Anexação ilegal

Um relatório secreto da União Europeia acusa o governo de Israel de tentar anexar ilegalmente a parte oriental (árabe) de Jerusalém, por meio de expansão de assentamentos e da demolição de casas de palestinos - já criticada nesta semana pela chanceler americana, Hillary Clinton.

O documento, datado de dezembro de 2008 e divulgado pelo jornal britânico “Guardian’’, diz que as ações de Israel “dentro e ao redor de Jerusalém constituem um dos mais graves desafios ao processo de paz entre israelenses e palestinos’’. E, apesar de reconhecer as preocupações de segurança de Israel, agrega que “tais ações têm justificativas limitadas’’. A política de expansão das colônias é defendida por Binyamin Netanyahu, futuro premiê.

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