São Paulo - A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo informou que deve rever os processos administrativos assinados pelo ex-secretário-adjunto estadual da Segurança Lauro Malheiros Neto, suspeito de vender sentenças de processos administrativos a policiais corruptos.
A decisão foi anunciada após o Ministério Público do Estado em Guarulhos (região metropolitana) receber um vídeo amador no qual o sócio de Malheiros, o advogado Celso Augusto Valente, explica a um policial como funciona o esquema.
Como Malheiros assinava as sentenças de processos contra policiais em nome do atual secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, o secretário pode ser ouvido pela Corregedoria, que investiga as denúncias. As informações do vídeo corroboram com a denúncia feita no início de fevereiro pelo policial civil Augusto Peña - preso desde maio de 2008 sob suspeita de extorsão de dinheiro, que acusou o ex-secretário de também vender cargos de chefia dentro da Polícia Civil. Na ocasião, Malheiros negou as acusações.
O ex-secretário deixou o cargo em maio de 2008, após denúncias sobre sua ligação com o investigador Peña. O policial foi beneficiado recentemente com o direito da delação premiada. Esses benefícios, que podem reduzir a condenação do ex-policial, só são concedidos pela Justiça se as informações repassadas pelo acusado forem consideradas consistentes.
Peña, que é acusado de diversos crimes, também afirma ter sido beneficiado por Malheiros em um processo administrativo contra ele em troca de dinheiro. De acordo com o diretor-geral da Corregedoria, Alberto Angerami, o processo administrativo de Peña deve ser o primeiro a ser revisto.