Ser

Respeito ao gênero atrai o grande amor

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A despeito das transformações sociais vividas pela mulher nos últimos tempos, elas ainda esperam encontrar um grande amor. A conquista de um companheiro carinhoso, atencioso, que saiba conversar sobre a relação e lhes ofereça a tão sonhada felicidade no relacionamento torna-se cada vez mais distante à medida em que as características femininas são relegadas.

A avaliação é da doutora em psicologia clínica Marilene Krom, autora de vários livros como Família e Mitos. “Cegas por suas conquistas profissionais e cientes de que não precisam de homem nenhum para viver, elas esquecem seus atributos femininos e, assim, deixam escapar essa possibilidade. A conquista das mulheres aconteceu muito rapidamente e muitos homens ainda não conseguiram assimilar tantas mudanças. Sentem-se perdidos sem saber qual é seu novo papel. Se antes eram vistos como futuros pais dos filhos de suas pretendentes, agora são requisitados como bons amigos e amantes”, diz.

De acordo com Krom, também psicoterapeuta e professora universitária, as mulheres têm medo de perder tudo o que conquistaram em nome de seus sentimentos. “É um grande equívoco. O amor, quando assumido e vivido, não traz perdas, mas muitos ganhos. Talvez as mulheres possam expressar também toda sua doçura e sensibilidade. Meiguice, compreensão, capacidade de ouvir e acolher o homem amado fazem parte da essência feminina e os homens buscam essa essência, mesmo aqueles que nem se dão conta disso”, explica a psicóloga.

Na opinião dela, quando um homem conhece uma mulher que demonstra sua independência de um modo muito masculino, que se comporta como se estivesse medindo forças com ele, se afasta. “Assim como gatos e ratos, homens e mulheres se sentem sozinhos, carentes e ávidos por encontrar e viver um grande amor”, acrescenta Krom.

Mas o caminho rumo à felicidade da mulher passa por outros desafios. Um deles é gerenciar a situação de mãe e trabalhadora. “É interessante considerar sempre a especificidade de cada caso. Se possível, fazer um planejamento familiar para dar conta dessa função. É importante que a mulher, saindo do jugo masculino, não se submeta a outros jugos. Atualmente, vivemos sob o jugo do consumismo e da beleza estética, o que devemos equalizar”, afirma.

O do casamento insatisfatório, mantido por conformidade, muitas mulheres já conseguiram se livrar, graças, especialmente, à autonomia econômica. Por conta dessa nova realidade, surgem novas configurações familiares. A predominância da família nuclear (pai, mãe e filhos) já não é predominante como na década de 60.

“Estatísticas apontam um enorme número de mulheres que são o único amparo da família que chefiam. Criam e educam seus próprios filhos e acabam acumulando várias tarefas e jornadas de trabalho. Como conseqüência, encontra-se um número acentuado de mulheres sozinhas, com dificuldade de encontrar um novo companheiro. Não é esse o motivo do desencontro, mas a forma como elas, muitas vezes, se comportam perante o homem que lhes interessa”, conclui.

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