Internacional

Premiê japonês faz ameaça à Coreia


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Tokio - O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, disse ontem que não permitirá que um satélite norte-coreano atravesse o território japonês e advertiu que não ficará de braços cruzados perante o lançamento previsto pelo país, informou a agência Kyodo. Ontem a Coreia do Sul condenou o possível lançamento do satélite e teve a passagem fronteiriça fechada.

Os Estados Unidos e Seul afirmam que a Coreia do Norte pretende fazer um ataque, a exemplo do ocorrido em 1998, quando disparou um míssil contra o Japão. Na época, Pyongyang também anunciou que se tratava de um “artefato lançador de satélites”.

“Nenhum país permitiu jamais um teste de um míssil sobre seu território e eu não tenho intenção de observar o lançamento planejado”, afirmou o primeiro-ministro japonês. Na manhã de ontem, Aso pediu para que a Coreia abandonasse os planos de lançar o foguete, embora o governo da Coreia do Norte assegure que se trata de um satélite.

“Eles podem chamar isso de satélite ou de outra coisa. Mas se trata de uma violação de uma resolução do Conselho de Segurança que proíbe que Pyongyang tenha qualquer atividade envolvendo mísseis. Nós protestamos e pedimos o cancelamento imediato”, disse o primeiro-ministro, que afirma que a qualifica o lançamento como uma “infração descarada da Resolução 1718 do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

Seul alerta Pyongyang

A Coreia do Norte vai provocar uma nova reação do Conselho de Segurança da ONU caso viole as sanções em vigor e faça o lançamento de um foguete que pode transportar mísseis ou um satélite, disseontem a chancelaria sul-coreana.

Pyongyang notificou entidades internacionais da sua intenção de lançar um satélite entre os dias 4 e 8 de abril. Os EUA e seus aliados dizem, no entanto, que se trata de um teste disfarçado de um míssil, e consideram o gesto como uma provocação. O lançamento ocorrerá durante o dia e que passará sobre o Japão. Os propulsores cairão no mar do Japão e no oceano Pacífico. O regime comunista norte-coreano alega ter o direito a um programa espacial pacífico, o que incluiria o lançamento de um satélite de comunicações.

Já os EUA, a Coreia do Sul e o Japão afirmam não ver diferença entre o lançamento de um satélite e o teste de um míssil, já que ambos usam o mesmo foguete, o Taepodong- 2, supostamente capaz de atingir o Alasca.

No único teste a que foi submetido antes, em 2006, o foguete se desmanchou segundos após a decolagem. Analistas dizem que aparentemente houve avanços técnicos desde então. “Dar as coordenadas e permitir que todos saibam que os propulsores irão cair em áreas que não são uma ameaça a ninguém é uma forma de demonstrar que eles adquiriram precisão técnica”, disse Cho Min, do Instituto da Unificação Nacional da Coreia.

O aviso em si, inédito por parte da Coreia do Norte, também indica que Pyongyang tem grande preocupação com a possibilidade de EUA ou Japão tentarem abater o foguete, segundo Baek Seung-joo, analista do Instituto para Análises de Defesa da Coreia. Pyongyang diz que a derrubada do foguete seria vista como um ato de guerra. Analistas não esperam, no entanto, que os EUA efetivamente tentem interceptar o foguete, já que isso ampliaria as tensões, ao passo que o lançamento não representa uma ameaça imediata.

Em meio à crise, o líder Kim Jong Il fez uma rara aparicão ontem na província de Hwanghae. A imagem divulgada pela agência de notícias local.

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