Paulo Bonfim, o “poeta de São Paulo” (assim como gosta de ser chamado), no seu livro Aquele Menino, lançou de sua pena: “Há uma velha noite morrendo em todos nós. Começo de saudade martelando as teclas de algum piano que trazemos no fundo da vida...” Seria piegas demais falar de saudade? Mas quem já não a experimentou? Quem não a cultiva como a maior prova de que o passado valeu a pena?
Assim, atrevo-me a falar, de relance, dessa velha noite morrendo em todos nós, de que cuida o poeta, como uma chama crepitante das lembranças que frequentam nossas almas. É a saudade, amiga sorrateira, que faz repetir, em nossa essência, as passagens da vida, boas ou más, alegres ou tristes e que nos reconduzem às juras de felicidades, ao sorriso que se estendeu numa boca inocente, ao perfume que irradiou da moçoila fagueira, ao olhar perdido a um canto, ao divã silencioso que nos ouviu, ao amor que se foi sem despedir, ao adeus que sufocou nossa esperança, à lágrima que orvalhou nosso rosto... A saudade, disse Rubem Alves, é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar. E complemento: quando é demais e já não cabe no peito, escorrega pelos nossos olhos aflitos e marejados...
Para encerrar estas singelas palavras sobre a saudade, socorri-me do nosso eterno Machado de Assis, o grande jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo brasileiro: “Guarda estes versos que escrevi chorando como um alívio a minha saudade, como um dever do meu amor; e quando houver em ti um eco de saudade, beija estes versos que escrevi chorando”.
O autor, Reinaldo A. Aleixo, é procurador do município de Pederneiras, advogado e professor da ITE - Bauru