Cerca de 320 mutuários do Núcleo Mary Dota procuraram a Associação Esportiva de Malha Pedro Priolo, na manhã de ontem. Não era final de campeonato da modalidade, mas o local ficou cheio até as 18h30. Na sede da entidade, cerca de 20 técnicos da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) atenderam de forma voluntária os moradores que buscavam orientações para regularização de dívidas ou de contratos. A ação, que foi batizada de “Cohab no Bairro”, será estendida a todos os núcleos da cidade e região. No dia 4 de abril, será a vez dos moradores do Núcleo Edson Francisco da Silva, o Bauru 16, receberem o programa.
Era por volta das 7h30 quando os mutuários do Núcleo Mary Dota começaram a chegar na sede da associação Esportiva de Malha Pedro Priolo. Eles pegaram suas senhas e aguardaram o início do atendimento. Pontualmente às 9h, os moradores começaram a ser atendidos. Até o final do dia, mais de 320 pessoas foram recebidas e, como algumas tinham mais de um problema a ser revolvido, 440 atendimentos foram feitos.
O aposentado José Carlos Domingos, 58 anos, foi atendido no início da tarde de ontem. Para ele, a iniciativa é positiva. “Trazer a Cohab para cá foi muito bom para mim. Estou com algumas prestações atrasadas e vim ver o que podia ser feito. Ainda não fechei o acerto, mas foi um bom começo”, diz.
A dona de casa Silmara Genaro, 33 anos, foi pedir a depuração do contrato da casa que está em nome de seu pai. Moradora do Núcleo desde a inauguração do empreendimento, há 18 anos, ela não conseguiu resolver o problema, mas irá à sede da Cohab durante a semana. “Pedi o valor da quitação há dois anos e até agora nada. Não sei quanto é o total da dívida, mas queremos solucionar o mais rápido possível. Hoje preenchemos um cadastro e vamos voltar à Cohab”, diz. Ainda assim, ela elogiou a iniciativa. “O Mary Dota estava precisando muito dessa aproximação com a companhia”, diz.
Já para a prestadora de serviços Rosimeire Leme de Araújo, o mutirão de atendimento do Cohab não ofereceu boas propostas aos mutuários. Ela conta que até 1997 pagou suas prestações normalmente e a partir daí, passou a pagar os valores em juízo. “Ao todo, me informaram que tinha um débito de R$ 60 mil. Após a negociação, disseram que eu teria que assumir uma dívida de R$ 34 mil. Além de mais sete anos pagando R$ 245,00 por prestação. Com a negociação, essa parcela iria a R$ 545,00 mesmo usando o dinheiro que estava depositado em juízo. Eu não tenho condições”, afirma. “E não fui só eu que saí com propostas inviáveis. Tem vários mutuários me procurando porque também não conseguiram um valor mais razoável”, destaca.
De acordo com a prefeitura, dos 3,6 mil contratos do Mary Dota, cerca de 2,9 mil estão com prestações em atraso, ou seja, 80,5% do total. O valor médio das prestações da Cohab gira em torno de R$ 179,00 e R$ 200,00. Antes de ingressar com a ação na Justiça para reintegração de posse, a companhia tenta negociar com o mutuário durante cerca de 12 meses.
Bauru 16
O presidente da Cohab, Edson Bastos Gasparini Júnior, afirmou estar satisfeito com a força-tarefa realizada ontem. “Muita gente saiu com os esclarecimentos necessários. Outros conseguiram regularizar a transferência do imóvel. E tem também aqueles que tiveram atendimento agendado na Cohab”, relata.
Ele adiantou que o próximo bairro a ser visitado pela entidade é o Edson Francisco da Silva. “Vamos atrás dos mutuários. Iremos levar todas as divisões da Cohab para a orientação necessária e a resolução dos problemas, dentro dos parâmetros estabelecidos”, destaca.
Para Elisabete Bueno Storno, presidente da associação, o mutirão foi positivo. “Foi um grande sucesso. Agradecemos muito a equipe da Cohab, que veio de forma voluntária. Porém, acreditamos que muitos mutuários ainda vão procurar a entidade durante a semana”.
Os vereadores Giba dos Santos (PSDB) e Roberval Sakai (PP) também acompanharam o mutirão. Para o tucano, a prioridade é o atendimento da população. “Precisamos atender os mutuários que querem regularizar sua situação”, diz. Já Sakai, que de acordo com Gasparini Júnior batizou o mutirão, destaca a extensão a outros bairros. “Esse primeiro encontro foi ótimo para a cidade. Vamos levar para os outros. Já marcamos lá para o Bauru 16 e depois seguiremos para o Núcleo José Regino, e assim em diante”, diz.