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Para Pelegrina, história possui lacunas demais

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

O historiador bauruense Gabriel Ruiz Pelegrina não tem medo de polêmica. Aos 88 anos de idade, não teme colocar em xeque um dos principais ícones de Bauru e região: a índia Vanuíre. Ele é taxativo em dizer: “Em todos esses anos de pesquisa em jornais e documentos oficiais, nunca encontrei uma linha sequer que fizesse referência a ela.”

Pelegrina possui em seus arquivos mais de uma dúzia de retratos em preto e branco da caingangue considerada heroína da pacificação indígena no início do século 20. “Dizem que é a Vanuíre nas fotos, mas quem pode garantir? Pode ser alguma índia catequizada qualquer”, provoca.

De acordo com Pelegrina, a imprensa de Bauru do começo do século 20 teria feito uma ampla cobertura dos conflitos entre brancos e índios na região. “Nenhum jornal, porém, mencionava a índia Vanuíre”, garante.

O historiador, que já pesquisou sobre o assunto em diversos livros da época, conta que nenhum sertanista (nem mesmo o Marechal Cândido Rondon, a quem é atribuída a vinda de Vanuíre a São Paulo) menciona a existência de Vanuíre.

Mito?

O historiador bauruense João Tidei de Lima, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que Vanuíre realmente existiu. “Ela foi uma figura importante na pacificação”, garante.

De fato, houve uma moradora da aldeia indígena de “Icatu”, no município de Braúna (região de Tupã), que se chamava Vanuíre. Era vinda do Paraná e se fixou no local no início da década de 1910.

Muito respeitada entre seus pares por conhecer os cantos e tradições caingangues, acabou ganhando fama de responsável pela pacificação dos índios que estavam em guerra com os brancos. Faleceu em 1918, e teve seus restos mortais levados a Tupã, anos mais tarde.

“A história de Vanuíre pode até parecer um pouco romanceada. Mas que ela de fato existiu e teve papel fundamental na pacificação dos índios da região, ninguém pode negar”, afirma a diretora do Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, Tamimi David Rayes Borsatto.

Moradores mais antigos das aldeias da região de Tupã afirmam ter conhecido de perto a “pacificadora”. Inclusive, o cacique caingangue da aldeia “Índia Vanuíre”, Irineu Cotuí, 58 anos, seria descendente de uma irmã de Vanuíre.

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