Brasília - Reportagem publicada pela revista “Veja” nesta semana diz que o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz recebeu ordens da Presidência da República para realizar a Operação Satiagraha. Na semana anterior, a revista já havia dito que o delegado teria usado métodos ilegais em suas investigações, na qual diversas autoridades se tornaram alvo.
Protógenes ficou conhecido nacionalmente durante a Operação Satiagraha, que prendeu no ano passado o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Todos foram soltos depois.
De acordo com a reportagem, no ano passado, quando os métodos usados pelo delegado passaram a ser questionados por autoridades - como o uso de grampos ilegais -, Protógenes teria procurado a Procuradoria da República para negar as ilegalidades.
Trechos do depoimento de Protógenes à Procuradoria foram divulgados pela revista. Em seu depoimento, no entanto, o delegado negou que tenha recebido ordens para grampear ilegalmente os investigados.
Porém, ele teria afirmado que a atuação de espiões da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no caso era do conhecimento do juiz federal Fausto de Sanctis e do procurador da República Rodrigo de Grandis -o que ambos negam.
As denúncias sobre as espionagens feita pela Abin resultou no afastamento de Paulo Lacerda da diretoria-geral após a Satiagraha. Protógenes, diz a revista, afirmou que as ordens teriam sido repassadas pelo próprio Lacerda.
Ao apontar o Palácio do Planalto como mandante da Satiagraha, Protógenes aproxima as investigações - e, consequentemente, os escândalos envolvendo o uso indevido de escutas - ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar da projeção nacional, Protógenes foi afastado da investigação e acabou virando alvo de um inquérito da PF que apura eventuais excessos cometidos na Satiagraha.
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Depoimento na CPI está marcado para o dia 1º de abril
Brasília - A CPI das Escutas Clandestinas da Câmara marcou para o dia 1º de abril o depoimento do delegado Protógenes Queiroz à comissão para explicar supostos abusos que teriam ocorrido durante a Operação Satiagraha. Ao anunciar a data do depoimento, o relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse que não há “coincidência” com o fato de Protógenes falar à comissão no “dia da mentira”.