Nacional

Crise do etanol já demitiu 500 e atrasou salários de 3.000 na região de Ribeirão


| Tempo de leitura: 2 min

Ribeirão Preto - A crise que atinge pelo menos 11 das 55 usinas ou destilarias da região de Ribeirão já gerou pelo menos 500 demissões, atrasos no pagamento de cerca de 3.000 trabalhadores, queda no comércio das cidades canavieiras e levou prefeitos a pedirem socorro ao Estado.

Na maioria dos casos, os problemas começaram a aparecer em decorrência da escassez de crédito e falta de liquidez, efeitos da crise econômica global. Porém, a origem pode ser decorrência do excesso de otimismo. “Há uma dificuldade financeira em algumas das empresas que atuam no setor, por um lado porque se alavancaram com muita volúpia no crédito, acreditando na fartura, ou porque partiram para investimentos muito significativos’’, afirmou Nelson Rocha Augusto, economista e presidente do Banco Ribeirão Preto.

Caso emblemático durante o período é o da usina Albertina, em Sertãozinho, que em novembro, aos primeiros sinais da crise, deu entrada na Justiça com pedido de recuperação judicial. A dívida divulgada foi de US$ 100 milhões.

Desde então, a empresa teve de demitir parte de seus 1.800 funcionários, enfrentou inúmeras manifestações por falta de pagamento de salário até que, em janeiro, aproveitou a entressafra para parar. “Falta dinheiro. Estamos com R$ 18 milhões em estoque de açúcar embargados pela Justiça. O valor seria suficiente para a folha salarial (R$ 5 milhões) e garantir a safra que vem”, disse Fabiano Colussi, diretor de negócios da empresa.

O Grupo Santelisa Vale, que administra cinco usinas na região, tem dívida de R$ 2 bilhões e teve de cancelar projetos de expansão em Minas Gerais. Entre janeiro e março, concedeu licença remunerada para cerca de 750 funcionários.

As outras usinas com problemas são a Maringá, de Araraquara, a Carolo (Pontal), Nova União (Serrana), a Cerp (Ribeirão Preto) e a destilaria Pinhata (Sertãozinho).

Nas cidades canavieiras, a onda de trabalhadores sem pagamento ou demitidos causou o que os prefeitos chamaram de “caos social’’. Além da queda no comércio, houve aumento de procura por serviços públicos.

Comentários

Comentários