São Paulo - Em uma sessão sem surpresas, os deputados elegeram ontem Barros Munhoz (PSDB) presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo até 2011. Eleito por quase unanimidade - apenas os dois deputados do PSOL não votaram em Munhoz -, o novo presidente teve o inusitado apoio da bancada do PT, em um acordo feito nas últimas semanas. Líder do governo, Munhoz tinha o apoio do governador tucano José Serra, que tem ampla maioria na casa e manteve sua influência com a nova mesa diretora. O deputado Vaz de Lima (PSDB), presidente até anteontem, se tornou líder do governo.
O PT, que tem 20 deputados dos 94, aceitou apoiar o candidato do governo em troca de um compromisso, assinado por Munhoz, de modificar o regimento para permitir uma série de reivindicações da oposição. Entre os pontos mais delicados estão a realização de audiências públicas antes da aprovação do Orçamento e a votação de projetos dos deputados mesmo sem acordo das lideranças. Rui Falcão, que assumirá a liderança da bancada do PT terça-feira enfatizou, no momento em que proferiu seu voto, o compromisso assinado por Munhoz de realizar audiências públicas em todo o Estado para “democratizar” as decisões. Mesmo assim, um dos maiores problemas da oposição - a impossibilidade de aprovar CPIs para investigar denúncias contra o governo- não sofrerá alterações com a nova presidência.
O PT ficou ainda com a primeira-secretaria, cargo que já ocupava, e que passa a ser exercida pelo deputado Carlinhos Almeida (PT). O cargo é considerado o segundo mais importante da mesa. O acordo com o PT interessava ao PSDB para evitar um revés na eleição, como ocorrido no governo anterior, em que parte da base se aliou ao PT para derrotar o governista.