São Paulo - A quadrilha suspeita de clonar cartões de crédito no Rio arrecadava em média R$ 350 mil por mês, de acordo com investigações da Polícia Civil. Ontem a Delegacia de Apoio ao Turista (Deat) realizou uma operação para desarticular o grupo. Com nove mandados de prisão, policiais prenderam cinco suspeitos -um deles em um condomínio de luxo da zona oeste do Rio.
De acordo com a delegacia, ao menos cinco equipamentos para clonagem dos cartões - chamados de chupa cabras - eram instalados por mês em estabelecimentos como hotéis, restaurantes, drogarias e postos de gasolina. Para possibilitar as instalações, a quadrilha contava com dois funcionários de prestadoras de serviços de manutenção para empresas de cartões, que estão entre os presos, e um falso técnico, também detido.
Cinco pessoas foram presas, entre elas o homem apontado como chefe do bando, o empresário Rogério Antunes Cerqueira, 28 anos. Outros quatro estão foragidos.
Um dos presos, Ricardo Noronha de Almeida, 32 anos, é um falso técnico de manutenção de máquinas de cartões, que possui uniforme e até identificação falsa. Também foram apreendidos seis lap tops, três computadores comuns, pen drives, máquinas de cartões, além de 500 pesos argentinos.
Em uma das escutas telefônicas gravadas pela polícia, com autorização judicial, Cerqueira fala a um dos comparsas sobre uma nova tecnologia de clonagem de cartões, que possibilitaria ao bando ganhos diários de US$ 20 mil.
Para a clonagem, os equipamentos similares aos apreendidos na operação copiam dados da tarja magnética dos cartões, além das senhas. Cada terminal com chupa cabras podia pegar dados de aproximadamente 50 cartões. “Tenho quase certeza que essa tecnologia não copia os dados de cartões que possuem chip, apenas daqueles com tarja magnética”, Daniel Mayr, delegado-assistente da Deat.
Somente em dois equipamentos analisados pela polícia, foram constatadas 58 compras fraudulentas com cartões clonados. Nas escutas telefônicas, embora demonstrassem preferência por cartões de crédito de turistas estrangeiros, devido aos limites elevados, ação da quadrilha não se restringia somente a bairros nobres da zona sul da cidade. Eles também aplicavam o golpe na região serrana do Estado (Petrópolis e Teresópolis), na Baixada Fluminense (Duque de Caxias e Nova Iguaçu), na zona oeste (Jacarepaguá, Recreio e Barra da Tijuca), além da zona norte do Rio, (Tijuca).