Polícia

Menor usa arma de brinquedo para pedir dinheiro em semáforo

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

A permanência de crianças e adolescentes em busca de esmola nos cruzamentos mais movimentados da cidade rompem as barreiras da vulnerabilidade social para a casa da intimidação e até mesmo do perigo. Ontem de manhã, um motorista que passou pela avenida Nações Unidas, entre as ruas Ibrahim Nobre e Júlio M. Filho, solicitou a presença de policiais no local, ao afirmar que um menor, em busca de alguns trocados, exibia uma arma de brinquedo para intimidação de motoristas e passageiros num dos sinaleiros da região.

Logo após o recebimento da denúncia anônima, a Polícia Militar enviou três viaturas ao local onde três adolescentes foram abordados. No entanto, de acordo com a PM, nenhum tipo de simulacro foi localizado em poder dos menores.

“Recebemos um comunicado, às 10h25, que dava conta sobre três adolescentes no local, sendo que um deles estaria em poder de uma arma de brinquedo”, confirma o tenente Willian Carlos Padovini, oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão da Polícia Militar.

Conforme Padovini, a denúncia gerou cautela entre os policiais, o que motivou o envio de três viaturas. “O comunicado foi sobre arma de brinquedo, mas nunca se sabe. Poderia ser até mesmo uma arma de verdade”, enfatiza. “Em função disso, enviamos esse número de viaturas”, acentua.

Para o oficial, o fato de nenhum simulacro ter sido encontrado com os menores não isenta os mesmos de uma possível intimidação sobre motoristas. No entanto, ressalva o policial, não foi lavrado qualquer tipo de registro sobre ato infracional, já que o simples fato de pedir esmolas, explica o tenente, não incide em transgressão.

O oficial acredita em duas hipóteses para nada ter sido encontrado com os garotos: ou o simulacro foi escondido na região antes das viaturas chegarem, ou algum outro tipo de objeto, com formas alusivas a uma arma de fogo, tenha sido usado pelos adolescentes. “As vezes o motorista que entrou em contato com a polícia passou rápido e tenha acreditado se tratar de uma arma de brinquedo”, supõe.

Falsa ajuda

Sob a ótica do oficial, os maiores responsáveis pela permanência de menores nos cruzamentos, incluindo atitudes como a denunciada ontem, são os próprios alvos dos pedidos de esmola: os motoristas. Para o policial, quanto mais colaboram, mas incentivam que meninos e meninas abandonem as salas de aula e disputem vagas nas esquinas da cidade. “O grande problema é que as pessoas dão esmola. Se ninguém desse nada, ninguém ficaria pedindo”, opina. “Já fizemos trabalho em conjunto com o Conselho Tutelar, no sentido de coibir essa ação. Mas simplesmente pedir esmola não é delito”, lembra.

Resistência

Empreendido pela prefeitura, por meio da Secretaria do Bem Estar Social, o programa “Nenhuma Criança na Rua”, que prima pelo monitoramento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, atende a, aproximadamente, 200 jovens nesse perfil. Vinte e cinco deles, admite Darlene Martin Tendolo, chefe da pasta, resistem ao encaminhamento social promovido pela iniciativa e, apesar de retirados, por meio de ação conjunta com o Conselho Tutelar, voltam para as ruas.

“As pessoas dão esmolas e isso faz com que os jovens retornem aos cruzamentos”, lamenta a secretária, que confirma o recebimento de diversas reclamações sobre pedintes ou até mesmo intimidação de transeuntes. Em boa parte dos casos, acentua Darlene, trata-se do mesmo grupo que resiste à assistência prestada pelo programa, instituído em 2004.

“Os pais não se conscientizam e permitem que os filhos continuem pedindo dinheiro nas ruas. Abrir os olhos dos pais e responsáveis é um trabalho longo, mas que continuará a ser feito”, assegura a secretária, que não descarta medidas legais, até mesmo com pedido de tutela dos menores, como alerta aos pais. “São sempre os mesmos”, aponta.

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