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Dr. Automóvel: Freios em ordem

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Quando o freio começa a fazer barulho, já se pensa que as pastilhas estão acabando. Mas têm muitas outras coisas que também se desgastam, como lonas, discos, fluido, campanas... Por isso, em uma manutenção eficiente, é necessário que se verifiquem todos os componentes do sistema. O que precisar ser trocado deverá sê-lo preventivamente, para garantir um bom funcionamento em emergências. Hoje existem diversos recursos eletrônicos como antitravamento (ABS) ou de distribuição eletrônica de frenagem (EBD), sistemas modernos que requerem padrões mais exigentes de funcionamento. O fluido de freio evoluiu com o conjunto, passando para formulações sintéticas que suportam maiores temperaturas de trabalho sem entrar em ebulição, como quando em frenagens de emergência ou descida de serra.

Hoje os fluidos mais indicados para a maioria dos carros são de especificação DOT 4, que resiste a 275ºC antes de ferver, mas carros mais antigos ainda rodam com o DOT 3. Abaixo disso não é recomendado. Alguns importados de alto desempenho usam DOT 5, para 300ºC. A troca do fluido deve ser feita a cada ano ou 30.000 km, pois o fluido perde as características de transmitir pressão e resistir às altas temperaturas com o tempo de uso, pois absorve umidade.

Para fazer a sangria do fluido de freio do sistema, devem-se retirar as rodas e abrir os sangradores, começando pela roda mais distante do reservatório. A seqüência correta seria roda traseira direita, traseira esquerda, dianteira direita e por último, a dianteira esquerda. Com uma chave estrela, solte a válvula do sangrador, uma roda por vez. Use uma pequena mangueira acoplada ao parafuso de sangramento para evitar vazamento de fluido. Retire a tampa do reservatório de fluido, acoplando no bocal uma pequena bomba de pressão que pressurizará todo o sistema, permitindo com que o fluido usado saia. Complete novamente o reservatório com fluido novo dentro da especificação recomendada e bombeie até sair o fluido novo pelo sangrador. Reaperte os sangradores, complete o nível e está pronto.

As pastilhas são fáceis de verificar seu desgaste, pela espessura. Quando o material de frenagem na pastilha apresentar uma espessura de 1 mm, a pastilha deve ser trocada, para evitar que a base de aço venha a tocar diretamente no disco de freio. Recomenda-se sempre fazer uma retífica do disco de freio a cada vez que trocar as pastilhas, se o disco estiver muito marcado. No caso de tambores de freio, o mesmo deve ser feito a cada troca de lonas. Com um bom uso do freio, ou seja, o motorista ter pé leve na hora de frear, sem deixar o freio superaquecer, o disco terá uma vida longa, às vezes nem precisando de retífica ou no máximo, uma leve passada para alisar a superfície. Agora, em mau uso, como nas “alicatadas” que chegam a azular os discos, isto fará com que a troca seja mandatória.

Para retificar o disco, deve-se levantar o veículo e retirar a roda, em seguida retirar a pinça de freio, soltando os dois parafusos de fixação e afastando os pistões. A seguir, retire o disco de freio soltando os parafusos de fixação do disco ao cubo de roda. Verifique a espessura do disco, nele vem marcada a espessura mínima. Se estiver muito fino, não dará para dar um passe e este terá que ser trocado por um novo. Em um torno especial, o disco deverá ser acoplado e a superfície será nivelada, perdendo um pouco de sua espessura. Mede-se a espessura do disco com um paquímetro, e geralmente a espessura mínima de desgaste é em torno de 3 mm. Sempre se retira o mínimo possível de desbaste, para dar maior sobrevida à peça. As condições gerais do disco são checadas quanto a trincas e outras fragilidades, que se encontradas reprovam definitivamente a peça e esta deve ser substituída.

Para aumentar a durabilidade do disco, recomenda-se usar uma pastilha mais mole ou macia, que se desgastam mais rapidamente, mas não danificam tanto o disco. Além disso, aumentam a eficiência das frenagens. Com o disco já retificado, deve-se proceder à montagem de forma inversa à desmontagem, tendo o cuidado de colocar pastilhas novas e adequadas na pinça. Após a remontagem do sistema de freios, tome cuidado com os primeiros 500 a 1000 km, pois o sistema estará se acomodando, ficando mais borrachudo e menos eficiente que o normal, portanto pise mais suavemente no pedal.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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