Antananarivo - O líder opositor Andry Rajoelina assumiu ontem o governo em Madagáscar, com apoio dos militares, após meses de conflitos na ilha africana. Cercado, o presidente Marc Ravalomanana entregou o poder às Forças Armadas - que recusaram a formação de um governo militar e endossaram Rajoelina, ex-prefeito da capital.
Ravalomanana estava isolado na residência oficial desde o final de semana, quando opositores proclamaram Monja Roindefo Zafitsimivalo o novo premiê, sem encontrar resistência. Horas antes de renunciar, Ravalomanana propôs a realização de referendo, rechaçado pela oposição. Novas eleições serão convocadas em 2011, segundo Rajoelina.
A União Africana pediu respeito à Constituição. Aos 34 anos, o DJ e ex-prefeito Rajoelina é jovem demais para assumir a Presidência, segundo a lei de Madagáscar. Os EUA ameaçaram cortar a ajuda se forem tomadas medidas inconstitucionais.
O homem, cujos protestos nas ruas desde o início de 2009 forçaram a renúncia do presidente, assumiu imediatamente o poder, marchando até o palácio presidencial.
Ravalomanana viu sua autoridade erodir em meio a protestos generalizados que deixaram 150 mortos. Um golpe foi frustrado em fevereiro.
A oposição o acusa de ignorar a pobreza e governar o país como empresa privada -metade das terras aráveis foi alugada a um conglomerado para a produção de alimentos para a Coréia do Sul.
A instabilidade afeta o turismo, importante para Madagáscar, exportador de produtos agrícolas e minérios, atualmente em baixa. A crise econômica aumentou a rejeição popular à cessão de terras da ilha, cujos 20 milhões sobrevivem com renda média de R$ 62 mensais. A oposição disse que eleições serão realizadas em dois anos. “Podemos dizer que somos livres. Há muito trabalho a nossa espera. É o caminho que Madagascar deve tomar”, disse Rajoelina.