Polícia

Quadrilha de Marília é condenada por um seqüestro em Bauru

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Uma quadrilha de Marília foi condenada pelo seqüestro de dois empresários de Itapira, realizado em Bauru, em fevereiro de 2007. As vítimas ficaram detidas por mais de 24 horas e liberadas após pagamento de R$ 132 mil. No último dia 9, a Justiça de Bauru condenou quatro réus pelo crime. O empresário Arineu Zocante, apontado como sendo um dos líderes do grupo, foi sentenciado a 24 anos de reclusão. Os réus ainda podem recorrer. Zocante também está envolvido em outros casos apurados pela Operação Oeste, deflagrada pela Polícia Federal (PF).

No dia 6 de fevereiro de 2007, os empresários de Itapira vieram a Bauru atraídos por um anúncio de jornal que oferecia uma máquina agrícola para venda. As vítimas foram levadas a uma propriedade rural nas proximidades da rodovia Bauru-Marília, onde estaria o bem a ser adquirido. No caminho para o local, foram dominadas, ameaçadas com arma de fogo e seqüestradas. Elas foram liberadas um dia depois do pagamento do resgate, no município de Bocaina. Na sentença está escrito que as vítimas foram agredidas enquanto permaneceram sob o domínio dos seqüestradores.

O Ministério Público denunciou Eliseu Munerato, Eric Marcelo de Souza, Deyvid Francisco Alves e Arineu Zocante por extorsão mediante seqüestro. Emílio Munerato, irmão de Eliseu, e Herieverson Rogério Pins também tiveram envolvimento no caso, mas os processos contra eles foram desmembrados. O primeiro foi inocentado, após outros envolvidos terem afirmado que ele apenas emprestou sua conta bancária, sem saber do que se tratava. Já Pins morreu na prisão, aparentemente em decorrência de complicações de uma apendicite.

Zocante foi sentenciado a 24 anos de prisão, Alves a 17 anos e seis meses de reclusão, Eliseu a 14 anos e Souza a 16 anos e quatro meses. Os réus ainda podem recorrer da sentença. A Defensoria Pública, que representa Alves, protocolou recurso ontem. O Jornal da Cidade tentou entrar em contato com o advogado de Zocante, mas não obteve retorno.

Na sentença do juiz João Augusto Garcia, da 3.ª Vara Criminal, consta que a apuração do crime desenrolou rapidamente após o rastreamento da conta bancária onde o dinheiro do resgate foi depositado e, posteriormente, sacado. O magistrado concluiu que o crime foi cometido de modo violento, com o uso de tortura física e psicológica pelos executores do seqüestro e que cada réu teve ações divididas no crime, mas todos tiveram participação de igual importância.

Esquema

De acordo com a sentença, Eliseu nega a intenção de dolo, pedindo que seja absolvido, assim como seu irmão. Porém, o juiz avaliou que ele tinha ligação direta com Zocante e sabia que o dinheiro depositado vinha de um crime, embora afirme ter pensado que se tratava da venda de um carro. Segundo o magistrado, ele teria convencido Emílio a emprestar a conta para o depósito do dinheiro.

Ainda segundo a sentença, Souza não teria participado diretamente da violência, mas ele e Eliseu levariam o dinheiro da conta de Emílio para Zocante - apontado como comandante do grupo. Eles receberiam uma quantia pela atuação no caso. Assim que os policiais chegaram a Emílio, pelo rastreamento de conta, ele entregou Souza e Eliseu, que indicaram Zocante como o responsável pela organização do seqüestro, tanto intelectual quanto financeira.

Além do envolvimento neste crime, Zocante e Pins também foram acusados de outros seqüestros em outras regiões do País. Alves teria agido diretamente na execução do seqüestro e também foi apontado como parceiro de Pins, que teria alugado a chácara que serviu de cativeiro, em outros casos. Os dois foram reconhecidos pelas vítimas como sendo os responsáveis pela abordagem na estrada. Eles também seriam os responsáveis por torturarem as vítimas, usando sacos plásticos para asfixia.

Para o juiz, Zocante é esperto e empregava conta de “laranjas” justamente para evitar o surgimento de seu nome nas investigações.

De acordo com o magistrado, ficou comprovado o vínculo entre Souza e Zocante e entre os dois e Eliseu e que todos estavam juntos, atuando para que o seqüestro desse certo enquanto outra parte da quadrilha mantinha os reféns em cativeiro. Zocante e Eliseu pressionavam Emílio para que sacasse rapidamente o dinheiro, para que os comparsas pudessem liberar as vítimas. O plano deu certo e o resgate foi pago. O montante não foi recuperado. Os quatro envolvidos estão presos.

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