Pesca & Lazer

História de Pescador: A bagagem esquecida


| Tempo de leitura: 2 min

No ano de 1982 em Bauru, depois de 24h de serviço, dirigi-me à cidade de Avaí, onde morava com meus pais. Na época eu tinha uma caminhonete D10, que além de me transportar usava-a também para as pescarias. Neste dia, viajando pela rodovia Marechal Rondon, que era de pista simples, próximo à descida de Corumbá, notei uma mesa caída no acostamento. Eu parei e coloquei a mesa na caminhonete, imaginando que algum veículo de mudança tivesse deixado cair, e no caso, se eu o alcançasse lhe devolveria aquele móvel.a

Para minha surpresa, logo à frente no caminho fui recolhendo cadeira, ventilador, colchão e até um botijão de gás. Acelerei o meu veículo para alcançá-lo, e próximo à entrada de Tibiriçá avistei uma caminhonete com a mudança solta, ultrapassei-a e acenei para que encostasse, o que foi feito.

Fui falar com os ocupantes do veículo e eis outra surpresa, era um motorista não conhecido, o Miguel Tijolo e o popular Walter Neto com sua tradicional camisa vermelha, que faziam parte da comitiva.

O Miguel Tijolo me reconheceu e disse: “Chefe, nós vamos para o Bacuriti acampar e armar umas redes”, então, expliquei que a carga havia sido mal arrumada e que toda a tralha estava se perdendo pelo caminho. O Miguel falava aos tropeços já que estava “pra lá de Bagdá” e me disse: “Amarrei certinho este ‘inseto’ e não sei como afrouxou”.

Ajudei-os a amarrar novamente a carga, e vendo o perigo deles continuarem a viagem, convidei-os a ficarem no meu rancho no rio Batalha, em Avaí. O que não aconteceu, pois eles queriam ir para Bacuriti, onde ficariam até domingo. Diante disso, os acompanhei até a entrada de Avaí, onde me despedi dos mesmos e fui para a residência de meus pais.

Na segunda-feira, fui procurado pelo Miguel, o qual pediu licença para entrar em minha sala e eu perguntei como havia sido a pescaria, mas ele fez outra pergunta: “Chefe, naquele dia que catou a nossa tralha, o senhor por acaso não viu uma carreta com barco, pois nós a perdemos no caminho, e o pior, era emprestado do compadre Erpídio”.

Respondi que não a havia visto, mas que iria ligar para a Polícia Rodoviária para ver se eles tinham conhecimento da localização da referida carreta. A resposta da Polícia Rodoviária foi negativa, e nesse instante entrou em minha sala o Erpídio. Informei a ele que tinha uma notícia ruim a lhe contar. Narrei a história ocorrida, e ele, surpreso, respondeu: “Chefe, a carreta e o barco estão lá em casa, pois o compadre Miguel nem foi buscá-la”. Diante dessa resposta, envergonhado, o Miguel pediu licença e saiu da minha sala.

Desses amigos, Miguel Tijolo e Walter Neto, só restou saudade, e creio eu que os dois estão felizes aprontando as suas noutra vida.

Sérgio Andrade MoreiraPescador e contador de histórias

Comentários

Comentários