Internacional

Europa e ONU criticam frase do papa sobre preservativos na África

Folhapress
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NovaYork - A declaração do papa Bento XVI de que a distribuição de preservativos é parte do problema, e não da solução, da disseminação da Aids no mundo, provocou ontem fortes reações de governos Europeus e da agência da ONU responsável por assuntos relacionados à doença.

Anteontem, ainda no avião que o levava para um giro de seis dias pela África, com escalas em Camarões e Angola, o papa afirmou que políticas desse tipo “aumentam o problema”. A visão da igreja é a de que a distribuição indiscriminada de preservativos pode estimular um comportamento sexual que ela vê como irresponsável e que estaria na raiz da epidemia de Aids que o mundo viveu em décadas recentes.

A doença já matou mais de 25 milhões de africanos desde o início dos anos 80. Hoje, cerca de 20 milhões de pessoas no continente -o mais atingido pela doença- têm o vírus HIV, e alguns países da região apresentam taxas superiores a 20% da população infectada.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da França expressou hoje “uma grande preocupação sobre as consequências das declarações de Bento XVI'’

Em Berlim, os ministros da saúde e do desenvolvimento da Alemanha disseram em nota conjunta que “camisinhas salvam vidas, na Europa e em outros continentes’’.

Também a agência da ONU para a Aids afirmou em comunicado divulgado ontem que uma “resposta abrangente - incluindo o uso de preservativos- é essencial para conter a disseminação da Aids”.

Vaticano reitera

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, reafirmou ontem as palavras do papa contra o uso de camisinha para evitar a Aids, e afirmou que, durante a viagem à África, na qual o papa deve se encontrar com portadores da doença, a postura da Igreja Católica sobre esse assunto “não mudará”.

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