Com problemas de saúde e sob o sol escaldante de ontem à tarde, usuários do Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru reclamavam do atendimento. A aglomeração de gente era tanta que até do lado de fora era difícil encontrar uma sombra para permanecer na espera. O JC calculou cerca de 100 pessoas.
Rosemarta Virgílio de Oliveira, por exemplo, estava desde às 7h40 no local. Alérgica à picada de insetos, foi vítima de um marimbondo e havia sido medicada. No entanto, por volta das 13h, ainda aguardava o médico chamá-la para avaliar sua situação. Enquanto Rosemarta queixava-se da coceira, a dona de casa Ilda Santiago aumentava o tom de voz para reclamar da morosidade. Estava com o filho passando mal. O rapaz enfrentava cólicas, diarréia e vômito.
“Muita gente que chegou depois já foi atendida e foi embora. Ainda estou aqui. Todos temos direitos iguais”, dizia. Já Márcia Oliveira havia decidido tirar o pai do PSC para levá-lo ao Pronto-Socorro do Bela Vista, justamente por conta da demora. O idoso de 70 anos sofreu duas paradas cardíacas na semana passada e ontem respirava com dificuldade. Uma radiografia havia mostrado que ele estava com o coração inchado, comentava a filha. No entanto, ele ainda não havia passado por um médico.
Mas o atendimento no PSC atende uma normatização do Ministério da Saúde, que prevê triagem e classificação de atendimento, informa o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Luiz Antonio Bertozo Sabbag. De acordo com ele, após o procedimento, os pacientes são distribuídos conforme a gravidade do caso. Recebem cor vermelha os casos urgentes e emergentes.
Os pacientes incluídos entre os amarelos podem aguardar por, no máximo, 30 minutos. Os verdes são aqueles que recebem prioridade por conta da idade, por exemplo. Já quem entra na classificação azul pode aguardar até três horas, dependendo do volume de pacientes. Para Sabbag, é possível que muitas das reclamantes estivessem nesta situação.
O diretor ressalta que, tanto pela manhã quanto à tarde, atendiam no PSC três clínicos gerais, um cirurgião e um ortopedista. Normalmente, encerram o expediente às 13h, mas não podem deixar o local sem serem rendidos pelo médico que os substituirá. Ainda de acordo com Sabbag, o volume de pacientes ontem no PSC era normal. Na opinião dele, a situação geral deve melhorar quando as unidades de pronto-atendimento forem instaladas na cidade.
Serão quatro, uma em cada ponto cardeal da cidade. A primeira será implementada no Núcleo Habitacional Mary Dota, provavelmente em agosto.