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Para onde vamos?

Arnaldo Madeira
| Tempo de leitura: 2 min

A arrecadação do governo federal - e também a de Estados e municípios - despencou no primeiro bimestre do ano. Por conta, evidentemente, da crise econômica mundial e de suas previsíveis conseqüências. O que obrigará (pelo menos é o que se espera) a equipe de Lula a fazer a lição de casa, coisa que não fez nos tempos de bonança.

Ou seja: se quiser preservar minimamente os investimentos públicos, que já são ridículos, o governo terá que cortar na própria carne, fazer todo o esforço possível e mais um pouco para reduzir as despesas de custeio. Nem assim pode-se dizer que os investimentos, estarão preservados. Até porque lhe falta, também isso, competência para gastar o pouco de que dispõem. Como demonstram os números do PAC.

Se mais não fosse, no ano passado, sempre com o apoio da ampla base de sustentação de que dispõe no Congresso - na Câmara, em especial - e contra a advertência de analistas econômicos gabaritados e de setores da oposição, o governo tratou de criar 80.780 cargos e funções gratificadas - iniciativa que vai subtrair dos cofres da União cerca de R$ 29,7 bilhões por ano. Por meio de projetos em tramitação no Congresso, pretende criar, em 2009, outros 43.872 cargos e funções gratificadas. Impacto estimado nas contas, caso sejam aprovados: mais de R$ 1,6 bilhão por ano.

E por aí vai, como se o país fosse uma réplica do “cassino” do Chacrinha: o país está sem nada - ou com muito a cumprir - mas continua prosa. Levante, por exemplo, o aumento exponencial de gastos com a contratação de funcionários terceirizados. Ele explodiu. Isto porque Lula e PT eram absolutamente contrários à contratação de servidores terceirizados. Perda de tempo lhes cobrar coerência. Inútil esperar que tenham honestidade intelectual. Para que o leitor tenha uma pálida idéia da farra fiscal promovida pelo atual governo, em seis anos, de 2003 a 2008, suas despesas de custeio dobraram: subiram 99,7%. Em 2003, elas representavam 20,5% do PIB. Em 2008, mais de 24%.

Lula e equipe, por arrogantes, não sabem lidar com as críticas. Sentem-se eternamente injustiçados. Quem os contraria é contra o país. Quem questiona sua improvisação perene torce, no fundo, na visão deles, para que a crise se aprofunde e faça com que diminuam os índices de popularidade de seu governo. Quem lhes diz que dois e dois são quatro (e não cinco) atenta contra a canção popular, como se isso tivesse importância. Quem lhes cobra freio nos gastos é tido como conservador, reacionário. Aonde chegaremos? Sob Lula ninguém sabe. O homem é só vaidade. É pena: o bom debate está interditado.

O autor, Arnaldo Madeira, é deputado federal pelo PSDB de São Paulo

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