Regional

Crosta verde no Tietê aflige Arealva

Carlos Demarchi
| Tempo de leitura: 2 min

Arealva - O aparecimento de uma crosta verde e acizentada nas águas do rio Tietê gerou reclamação de moradores e donos de ranchos no distrito de Marilândia, a dez quilômetros de Arealva (41 quilômetros de Bauru).

No local, em meio à vegetação flutuante de aguapé, uma crosta se formou e exala um mau cheiro nas proximidades do rio, o que irrita quem vai até o trecho. A crosta estagnada, de espessura de cerca de cinco centímetros, impede a vazão da água.

Cerca de 40 ranchos estão próximos ao rio. Proprietário de um rancho no local, o militar aposentado Miguel Ávila Martins, explica que o problema existe há vários anos, mas piorou nos últimos dias.

Ele relatou que o cheiro se assemelha a veneno usado na agricultura. “O cheiro parece de fezes. É muito ruim ficar por aqui no horário do almoço. Muitos vizinhos reclamam. Minha mulher não vem nem aqui neste local”, conta.

Segundo os moradores de áreas próximas ao rio, a situação piora com a circulação dos ventos, que acumula ainda mais os aguapés, onde é formada a crosta. “Quando comprei o terreno, pulava peixe na beira do rio e agora é diferente”, lembra.

Joaquim Teles, que faz alguns serviços no rancho de Martins, acredita que a crosta tenha relação com a safra da cana. “Depois que fizeram essas usinas é que virou essa narquia. Dizem que jogaram veneno para matar o aguapé. Não tenho idéia do que gerou isso”, diz.

Partilha da mesma opinião o rancheiro Augusto Marmo. Segundo ele, há três anos a formação se repete às margens do rio e não há uma explicação plausível que explique a crosta. “Cada um diz que é uma coisa. Uns falam que é alga, já outros dizem que é sujeira vinda de São Paulo e misturada com produtos químicos de usinas da região”, relata.

Marmo lembra que, no início do loteamento, a água era limpa. “Era uma água cristalina”, diz.

Cetesb

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) informou que ainda não recebeu reclamações sobre a situação da água às margens do rio Tietê, na área abrangida pelo distrito. Segundo Francisco Pereira de Lima, técnico da agência, uma provável causa para a crosta seria a proliferação das algas. Ele explicou que o lançamento de esgotos na cabeceira do rio e depois a existência de barragens diminuem a velocidade das águas. A concentração de matéria orgânica facilitaria o aumento das algas e explicaria o cheiro similar ao de veneno. O aguapé, que cresce nesse ambiente, completaria a formação.

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