Antananarivo - O novo presidente de Madagáscar, Andry Rajoelina, decidiu ontem “suspender as atividades da Assembleia Nacional e do Senado”, anunciou à imprensa o porta-voz do governo. Rajoelina assumiu como presidente depois de liderar, por cerca de dois meses, intensos protestos contra o ex-presidente Marc Ravalomanana, acusado de desviar dinheiro público e violar a Constituição.
Ravalomanana foi o primeiro presidente da empobrecida ilha africana após décadas de ditadura, que seguiram a dominação francesa sobre Madagáscar. A comunidade internacional criticou o modo como Rajoelina chegou ao poder e a União Africana e os Estados Unidos já acenam com sanções caso o novo governo - que prometeu convocar eleições em até 24 meses - não respeite a Constituição.
O anúncio foi feito ao fim do primeiro conselho de ministros liderado pelo ex-líder opositor. O conselho confirmou a criação de uma “alta autoridade para a transição para a Quarta República’’ e garante o funcionamento regular das instituições e da democracia durante o período transitório que não poderá exceder os 24 meses, segundo o porta-voz do governo, Augustin Andriamananoro.
Andriamananoro, contudo, não explicou os motivos para a suspensão do Parlamento e nem qual objetivo de Rajoelina com a medida - que não deve ser bem recebida pela já receosa comunidade internacional.