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Para Chico Pinheiro, associativismo ajuda sobrevivência humana

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Embora faça questão de enfatizar que não possui autoridade nenhuma para falar sobre qualquer matéria, o jornalista Chico Pinheiro faz uma afirmação apocalíptica: a permanência da espécie humana na Terra depende de mudanças urgentes no modelo de consumo e produção vigentes. E um dos caminhos para essa mudança, segundo ele, pode estar no associativismo, termo que, basicamente, se refere à união de pessoas em prol das mesmas metas, de forma organizada.

Em entrevista concedida minutos antes de iniciar uma palestra ministrada ontem à noite no auditório da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Chico disse acreditar que o individualismo contemporâneo e o sistema predatório de produção e de consumo transformarão o mundo em um ambiente inabitável em poucas décadas, inviabilizando a sobrevivência de seres humanos, animais e vegetais. “Se as coisas não mudarem, os cientistas calculam que, em 2050, precisaremos de dois planetas Terra para dar conta do nosso modelo de consumo. Pode parecer a catástrofe final, mas eu aposto em um futuro modificado, senão não teria tido cinco filhos”, brinca.

Ele defende que, além da destruição de florestas, rios e cidades, a deterioração das relações interpessoais se tornaram uma grande ameaça nos dias atuais. “Infelizmente, as pessoas passaram a malhar mais o corpo do que a cabeça e, ao contrário do que parece, ‘malhar’ a cabeça demanda mais esforço e acabou sendo deixada de lado”, afirma.

Embora admita que há sinais evidentes de que este caminho auto-destrutivo pareça irreversível, Chico acredita que será a partir das pequenas comunidades, cada uma à sua maneira, que a mudança será viabilizada. “A iniciativa de organizar a sociedade de maneira diferente não virá dos grandes centros do poder econômico, nem do encontro de Davos, na Suíça, nem das grandes redes de televisão do mundo. Mas sim de ações concretas de pessoas que estão conscientes do seu papel na superação desse problema”, destaca, explicando que o associativismo deve estar presente não só nas relações entre patrões e empregados, mas também entre empresas, entre os membros de uma família, na escola, entre amigos, etc.

Ontem, em coletiva à imprensa, o jornalista discursou brevemente sobre o tema que, segundo ele próprio, tem muito ainda a ser aprofundado na pauta de discussões das sociedades atuais. Em sua vinda a Bauru, Chico confessa que queria apenas propor uma reflexão ‘humilde’, a partir de sua observação enquanto repórter de 38 anos de carreira.

“O que me credencia a falar em uma palestra é só essa tal de televisão, mas eu não sou mais importante e não sei mais do que ninguém. Eu apenas observo o que vejo da janela da minha casa, nas ruas. Mas, na verdade, eu não vim aqui para explicar, eu vim para confundir”, conclui, parafraseando o ícone televisivo Chacrinha.

Quem é

Jornalista desde 1971, Chico Pinheiro se diz mineiro nascido em Santa Maria (RS), porque “Minas Gerais não é um estado geográfico, é um estado de espírito”. Viveu em Belo Horizonte até os 39 anos, quando mudou-se para São Paulo. Trabalhou no ‘Jornal do Brasil’, na Rádio Jornal do Brasil, na TV Globo-Minas, na TV Bandeirantes (MG e SP), TV Record e na Rádio CBN. Em 96, na TV Globo, assumiu a apresentação do Bom Dia São Paulo e do Bom Dia Brasil. Hoje, apresenta o SPTV e, na Globo News, os programas Espaço Aberto e Sarau.

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