Em janeiro deste ano, quando o prefeito Rodrigo Agostinho iniciou sua gestão, a avenida Rodrigues Alves, uma das principais de Bauru, completou 90 anos. Como a maioria das pessoas nesta idade, a via apresenta antigos problemas de saúde que, por enquanto, seguirão sem solução a curto prazo, embora seu restabelecimento seja prioritário para o novo prefeito. A despeito das dificuldades e reclamações dos munícipes, a recuperação definitiva da via que tem 60 quadras, num total de seis quilômetros, é protelada há, pelo menos, quatro administrações. Nas ruas, ironicamente, sua história é comparada a uma “novela”, até agora, sem final feliz.
Por enquanto, a avenida apenas passará por manutenções pontuais, até que a Secretaria de Obras conclua um diagnóstico mais apurado sobre a situação da via. Quando houver necessidade, buracos serão tampados e ondulações, retiradas, por exemplo. A informação é do titular da Secretaria de Obras, Eliseu Areco Neto, que enfrenta a dificuldade de não contar com dados técnicos sobre a situação da Rodrigues.
Caberá a ele, então, levantar o histórico da avenida, onde vários trechos passaram por testes variados no quesito pavimentação. Enquanto isso, a via permanece como armadilha para pedestres e uma espécie de tobogã aos motoristas.
“Estamos em fase de coleta de dados. A solução ainda está sendo desenhada”, reitera. Areco admite como trecho mais complicado o situado entre as avenidas Nações Unidas e Pedro de Toledo, onde o trânsito é mais pesado e o fluxo de veículos, maior – por ser ligação de bairros e terminal de passageiros.
Mais tranqüilo, o percurso entre a avenida Nações Unidas e o trevo do Redentor já passa por recape. Uma faixa já foi concluída.
Encontro regional
Por conta da complexidade da via, o secretário pretende colocá-la como objeto de estudo específico no 1º Encontro Regional sobre Pavimentação de Solos Tropicais, que será realizado em três dias separados.
Dois deles em maio e um em junho. O evento, organizado pela Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag), discutirá inicialmente a sistemática da miniatura compactada tropical. Depois, pavimentação econômica com solos tropicais e, por fim, planos de gestão de pavimentos urbanos. O último deles é o que mais interessa a Areco. “É o primeiro encontro regional. É inédito. A Obras, a Assenag e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) estão promovendo. Vamos discutir tecnologias a serem aplicadas no solo de Bauru”, acrescenta.
Ainda “reza a lenda” que o solo da cidade é “podre”. A situação justificaria a precariedade da pavimentação em quase toda a cidade. Mas para o secretário, o segredo para resolver o problema passa pela boa gestão. No encontro, por exemplo, técnicos avaliarão se realmente é necessário pavimentar, de uma vez, todo o município.
A avaliação é pertinente porque talvez a saída seja, inicialmente, a aplicação de uma base (uma das etapas do processo de pavimentação) adequada às características do solo para só depois utilizar massa asfáltica.
Antes do assunto ser oficialmente discutido, Areco já lança mão um projeto de gestão de qualidade, com base em princípios de ISO (International Organization for Standardization) – trata-se de um grupo de normas técnicas que estabelecem um modelo de gestão de qualidade para organizações em geral. Atualmente, os trabalhos são planejados, executados, os resultados checados e, caso haja necessidade, novas ações de melhorias são adotadas.
“Um de seus princípios é ter à disposição o mínimo para garantir a qualidade do serviço”, explica o secretário. Ele já constatou, no entanto, que suas sete máquinas utilizadas em operações de tapa-buracos e pavimentação estão bem aquém do mínimo necessário.
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A história da via
Em 18 de janeiro de 1919, a então avenida Alfredo Maia foi rebatizada com o nome do presidente da República da época, conselheiro Francisco de Paula Rodrigues Alves. A proposta inicial de vereadores era trocar o nome da rua Batista de Carvalho, mas com o falecimento do presidente, a Comissão de Justiça do Legislativo local se manifestou favoravelmente à troca de Alfredo Maia por Rodrigues Alves. A via, de fato surgiu em 1905, quando o primeiro trem da Estrada de Ferro Sorocabana chegou em Bauru. Por essa razão, recebeu o nome do superintendente da ferrovia, Alfredo Maia.
A história já foi contada ao JC pelo historiador Luciano Dias Pires. De acordo com ele, a ferrovia levou às primeiras quadras da avenida pequenos hotéis, pensões e bares. Nos anos 20, a via ainda tinha como piso um areião e não havia canteiro central. O perfil da Rodrigues Alves era predominantemente residencial.
No final da década de 20, a via ganhou paralelepípedos. Alguns anos depois, já eram duas pistas separadas por um canteiro com árvores e bancos de granito. Era palco dos grandes acontecimentos da cidade, como os desfiles cívicos e de carnaval em carros abertos. Até a metade do século passado, a Rodrigues Alves morria na rua Antônio Alves, onde havia um templo religioso que interrompia o crescimento da via.
O edifício então foi demolido e hoje a avenida tem cerca de oito quilômetros de extensão, distribuídos em mais de 70 quadras, chegando à rodovia SP-225 (Comandante João Ribeiro de Barros).