Tel-Aviv - Novos relatos de abusos de israelenses que participaram da ofensiva de 22 dias sobre a faixa de Gaza, publicados ontem, revelam que as tropas foram motivadas por rabinos do Exército a travarem uma “guerra religiosa”. E que o comando determinou uso de grande poder de fogo em nome do reforço da segurança dos soldados.
Mas as declarações divulgadas pelo jornal “Haaretz” narram também episódios de preocupação humanitária, como a ordem de um comandante para seus subordinados dobrarem os cobertores que usaram e limparem a casa onde se instalaram em Gaza, na operação que teve mais de 1.400 mortos palestinos e 13 israelenses.
As informações são trechos da transcrição de um debate, em 13 de janeiro, de formandos na Academia Militar de Oranim que lutaram em Gaza. Elas apontam que o encontro foi proposto por um diretor da instituição, Danny Zamir - que depois se disse “chocado” pelas narrativas e relatou os abusos a seus superiores. Após a divulgação de mortes de civis desarmados e vandalismo contra casas de palestinos anteontem, o governo anunciou a abertura de uma investigação.
“A discussão é necessária porque foi uma ação de guerra excepcional na história militar de Israel, determinando novos códigos éticos para o Exército e para o país como um todo”, declarou Zamir antes de passar a palavra aos combatentes (tratados por pseudônimos).
Ram, um comandante de patrulha, relatou “uma grande diferença” entre as mensagens das autoridades educacionais e do rabinato do Exército.
Ele disse que buscava ressaltar que o objetivo era impedir o lançamento de foguetes contra Israel e que nem todos os habitante de Gaza eram do Hamas. Mas a orientação dos religiosos, disse, era: “Somos o povo judeu, chegamos a esta terra por milagre. Deus nos trouxe até aqui e agora precisamos lutar para expulsar os gentios que interferem com nossa conquista desta terra santa”.