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Marceneiro constrói réplica de templo

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

‘Seo’ Osvaldo Aparecido Simolin, afirma ser portador de uma séria ‘doença’: o vício pelo trabalho. Foi dessa sua inquietação permanente que o aposentado, de 72 anos - dos quais 60 dedicados à marcenaria – decidiu entregar-se ao projeto de construir uma réplica do antigo templo de Herodes.

Rica em detalhes, a maquete possui 1,15 metro por 90 centímentos e retrata, com perfeição, a construção datada do século I a.C., feita por Herodes, em Jerusalém, provavelmente com a intenção de obter o apoio dos judeus da Palestina. “Eu não consigo ficar parado e como eu não faço mais serviço para fora, por conta da saúde, eu fico inventando coisas”, conta.

Bastante perfeccionista - “sou chato mesmo, tem que ficar tudo igualzinho”, define - a maquete do templo é a segunda feita pelo marceneiro. “A primeira eu fiz menor e não tinha tantos detalhes. Essa tem todos e é desmontável, formada por cerca de 25 peças”, descreve.

Segundo o marceneiro, a vontade de fazer a réplica, finalizada em dezembro depois de três meses de dedicação, nasceu desde o primeiro momento que a viu retratada em um livro. Apaixonado por história, o aposentado diz ser a leitura seu maior prazer, depois da marcenaria. “Eu não tenho estudo. Estudei apenas até a quarta série. Mas eu sempre gostei muito de ler e são os livros minha maior fonte de conhecimento”, considera.

Além da maquete, artigos menores como sacrários e capelas, a mesas, estantes e armários também são fabricados pelo marceneiro, como todos os móveis que decoram a residência que divide com a esposa, no Jardim Cruzeiro do Sul, em Bauru.

Casados há 47 anos, dona Dalvina Zequin Simolin diz também “entrar na dança” e ajudar o marido nas suas invenções. “Eu lixo, corto, seguro a madeira porque ele desde às 7h já começa a mexer com isso e fica o dia inteiro”, comenta.

Lição

Natural de Jaboticabal (SP), ‘seo’ Osvaldo mudou-se para Bauru, na década de 70, para ser gerente de uma indústria de móveis. O ofício, ele conta ter aprendido com o pai, o qual ajudava na fabricação de carroças. “Meu pai colocava eu e meu irmão para ajudar. Nessa época eu não gostava da marcenaria, porque era uma obrigação”, recorda.

Com riqueza de detalhes, Osvaldo lembra, porém, quando a paixão pelo trabalho com a madeira surgiu. “Minha mãe pediu a um dono de marcenaria que eu trabalhasse com ele para aprender o ofício. Não ia receber nada. No dia do pagamento, porém, o dono me chamou e me entregou o pagamento dizendo ‘Você merece, muitos aqui não fazem o que você consegue’. Foi assim que eu passei a gostar e me aperfeiçoei”, conta orgulhoso.

Hoje, aos 72 anos, depois de sofrer três acidentes vasculares cerebrais (AVC), conhecidos popularmente como derrames, Osvaldo deposita no trabalho a sua realização pessoal. “É a prova que mesmo com idade avançada e muitas vezes doente, podemos fazer o que quisermos. Se eu me disponho a realizar algo, eu não encontro dificuldades. A dificuldade é não ter querer”, ensina.

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