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Saúvas constróem verdadeiras mansões debaixo da terra

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

As formigas saúvas ou quenquéns são reconhecidas como cortadeiras e muitos temem seu poderio, chegam a exterminar plantações inteiras. Muitos desconhecem que esses pequenos insetos são “arquitetos” sob a terra. Constróem seus ninhos sem projetos em vegetal e mesmo assim conseguem dificultar ou impossibilitar a entrada de água de chuva e dos inseticidas que lhes custariam a vida. As obras altamente funcionais, contêm separação de lixo, armazenamento de alimentos e espaço suficiente para a movimentação de cada uma delas com das mais incríveis tarefas.

A descoberta e estudo da construção dos ninhos e do comportamento das saúvas remonta 34 anos para o professor e agrônomo da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu), Luiz Carlos Forti. Apaixonado pela pesquisa, ele passa boa parte de seu dia no laboratório com esses pequenos insetos de 50 milhões de anos. No período de pesquisas, o professor fez várias descobertas importantes que permitem desenvolver métodos de controle das formigas que, na opinião dele, não são tão más como pensa a maioria das pessoas leigas no assunto.

“As formigas saúvas podam a plantação e fornecem adubo natural para a terra”, diz.

Para o professor, a arquitetura contemporânea dos ninhos de saúva é resultado de um processo de mudanças e adaptações. É a ideal para a situação atual, isso não quer dizer que não esteja em evolução. Enquanto elas sobreviverem, vão evoluir.

A arquitetura é funcional, protege a rainha, a cultura dos fungos, o alimento pronto e o transporte do substrato. “A arquitetura do ninho é adequada para cultivar o fungo. As saúvas usam as folhas como substrato para criação dos fungos. São elas que cortam, transportam e fazem crescer. O fungo é de onde elas se alimentam.”

O ninho, segundo Forti é um local de proteção, arejado, com de 50 centímetros a oito metros de profundidade, dependendo de sua idade. É onde estão as câmaras de cultivo de fungos. Imagine o corte de um queijo suíço e todos aqueles buraquinhos. Se a gente fizer um corte na terra, vamos encontrar algo semelhante. As pesquisas em laboratórios são feitas em potes plásticos que imitam as câmaras, os buraquinhos do queijo suíço. Essas câmaras estão distribuídas nesse espaço.”

O número de formigas em cada ninho depende de seu tamanho, enfatiza o professor. “Varia de 3,5 a 7 milhões de indivíduos que vivem em perfeita sintonia e harmonia. Isso numa contagem pontual. Imagine que eu pegue um ninho no campo e faça um censo. Se eu somar toda a vida dele, talvez seja bilhões. Os ninhos de saúva podem viver até 22 anos em laboratório, na natureza uns 15 anos."

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