Regional

Ninhos têm canais que desviam a água pluvial

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O ninho das saúvas é construído com canais que interligam cada câmara, como os corredores de um imóvel humano que interligam a cada cômodo. Para entender essas interligações e estudar o comportamento das formigas, o professor Luiz Forti usou uma pequena porção de cimento em água despejou nos ninhos. Desta maneira ele pode conhecer todos os caminhos feitos pelas saúvas em seus ninhos.

Ele descobriu, por exemplo, que para evitar a entrada de líquidos, especialmente da água da chuva, elas constróem canais com forte curvatura para que a água fique depositada no fundo. Esses canais não colocam a colônia em risco. A possibilidade de a água pluvial atingir as câmaras de cultivo de fungos é descartada.

“Os ninhos têm drenagem para que a água não chegue às câmaras de fungos. Os canais são em arcos. A água não entra. Se entrar um pouco fica no fundo dos arcos. Raramente entra água. Ilusão da dona de casa imaginar que com água quente vá atingir a formiga.”

O ninho de saúvas dificilmente desmorona, avisa o pesquisador. “A arquitetura, que esses insetos descobriram com a sua evolução, é uma construção ideal para viver sob a superfície da terra.”

A estrutura é apropriada para se viver debaixo do solo. “As saúvas convivem bem com grande concentração de CO2. Nas câmaras há altas concentrações que seriam letais para o homem.”

Se a gente pensar numa construção ideal para viver embaixo do solo suportando o CO2, seria a casa ideal. Não entra a água da chuva, abaixo de 50 centímetros da superfície do solo a temperatura é estável, em torno de 25 graus. Não varia, seja inverno ou verão. Dificilmente desmorona.”

As câmaras esféricas são destinadas aos fungos e as em forma de gotas são as lixeiras. As formas diferenciadas facilitam o acesso das formigas.

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