Embora o trânsito baurense não sofra com os congestionamentos típicos das grandes cidades, alguns pontos da cidade já apresentam lentidão. A demora para atingir o destino devido às grandes filas tem incomodado os motoristas da cidade.
“Eu me irrito bastante, principalmente porque era para essa avenida ter uma pista para cada lado e a obra não foi acabada. Quando tenho horário para cumprir é pior ainda. Fico irritado também porque a gente vai e tira a carta direitinho e aí vem o cara e quer fazer barberagem. Eu buzino mesmo e fico com raiva”, extravasa Aleksander Soares, que trabalha como palhaço e dirigia pela avenida Comendador José da Silva Martha às 18h da última segunda-feira.
Segundo a pesquisa de doutorado da psicóloga Gislene Maia de Macedo na Universidade de São Paulo (USP), realizada no ano de 2004, boa parte da irritação no trânsito se dá na interação com outros motoristas. Dos 500 condutores paulistanos entrevistados, quase 95% disseram se irritar com quem fica muito perto do pára-choque traseiro de seu veículo. No entanto, 26% admitem que também fazem isso para forçar o carro da frente a andar rápido ou a dar passagem.
O estudo também apontou que 49% ficam impacientes com motoristas lentos na faixa da esquerda e tentam ultrapassá-lo pela direita. Embora cometam infrações, 37,8% dos motoristas reconheceram reagir com hostilidade quando outro condutor comete erros e 29,8% utilizam a buzina nessa situação.
Apesar da pesquisa ter sido realizada na Capital, não é difícil encontrar esse tipo de comportamento nas ruas de Bauru. A psicóloga Marly Bighetti acredita que a situação fica ainda mais difícil nas cidades de médio porte. “Em cidades como São Paulo as pessoas já estão acostumadas com o trânsito congestionado e acabam criando mecanismos para superá-lo, como buscar caminhos alternativos e avisar os amigos quando o tráfego está ruim. Nas cidades menores a situação não é comum e, por isso, quando as pessoas se deparam com a lentidão, acabam ficando com raiva”, explica.
Para a psicóloga, o melhor a fazer na hora do descontrole é se conscientizar de que dirigir é importante, mas é apenas um meio para atingir objetivos como o trabalho, passeios ou encontros. “A direção não é o mais importante, é apenas um meio que torna mais fácil a nossa vida. Os motoristas devem se manter calmos, ser gentis e prestar atenção ao sinais de trânsito, afinal, todos estão na mesma situação.”