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Futebol e educação

Rodolpho Pereira Lima
| Tempo de leitura: 2 min

Após Ronaldo marcar seu primeiro gol pelo Corinthians, contra o Palmeiras, a mídia tem feito uma glorificação em louvor ao profissional do futebol, como prodígio que renasce, como certo, para voltar à Copa do Mundo em 2014.

Esse fato me fez lembrar o artigo “Hora de pensar na educação”, publicado na revista “Agitação”, órgão do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), n.º 70 (jul/ago/2006), de autoria da ilustre Milú Villela, presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

O artigo faz um paralelo entre educação e futebol no Brasil, cuja brilhante análise entendo muito oportuna focalizá-la neste momento nesta prestigiadíssima coluna.

Escreve a autora que durante a Copa do Mundo, enquanto os jogadores ainda sonhavam, na Alemanha, em confirmar o Brasil como principal potência do futebol mundial, no Brasil, na Bahia, líderes de diversos segmentos da sociedade civil e de governos engajavam-se em um movimento pela melhoria da qualidade do ensino, por ser a melhor forma de tornar o Brasil uma potência mundial também fora do mundo da bola.

A Copa do Mundo já passou, dizia, mas o paralelo entre o futebol e educação continua fazendo sentido. A cada quatro anos, o País vive um clima de fervor cívico, com a perspectiva de um título mundial. É como se a seleção fosse a melhor parte de todos nós, a consagração de um particular jeito de ser, a face vistosa de uma nação em desenvolvimento de luta para eliminar indicadores de país desenvolvido.

O futebol é parte essencial de nossa identidade e motivo de auto-afirmação. A educação também deveria ser. Mas não é. O futebol entusiasma e mobiliza. A educação, apesar de importantíssima, ocupa pouco espaço expressivo na alma nacional. Não provoca emoções nem torcidas. Sua lamentável situação não gera a mesma indignação que se sente após uma derrota na Copa do Mundo.

A maioria dos brasileiros não admite perder um campeonato. Mas se conforma apenas em obter uma vaga na escola pública. Esse comportamento mostra exatamente o contraste do Brasil, ser pentacampeão na bola e um dos últimos em desempenho escolar no ranking mundial. Mas o futebol, no entanto, é apenas um jogo, e por isso tem uma importância relativa para a melhoria de nossas vidas e para o progresso do País. Isto significa que só a educação com padrão de qualidade pode formar a base de um novo projeto de país mais justo e desenvolvido.

Conclusão: na prática é preciso colocar energia e recursos para concretização da missão de “efetivar o direito à educação de qualidade para que, em 2022, bicentenário da Independência do Brasil, todas as crianças e jovens tenham acesso a educação básica que os prepare para os desafios do século 21”.

É preciso que o Brasil seja reconhecido não apenas pela excelência de seu futebol, mas também pela qualidade do seu ensino que, infelizmente, se encontra muito deficiente em todos os graus escolares, tanto do ensino público como particular.

O autor, Rodolpho Pereira Lima, é professor aposentado do magistério do Estado-SP

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