Recife - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender ontem o programa Bolsa Família, que atende a 11 milhões de famílias em todo o País. Ao rebater as críticas do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) de que o Bolsa Família é o “maior programa oficial de compra de votos”, Lula disse que o benefício não é uma esmola.
“Tem gente que fala mal do Bolsa Família. São R$ 80,00, R$ 90,00, R$ 95,00, R$ 65,00 e tem gente que acha ruim. Tem gente que fala que é esmola. Eu acho que para o cidadão que pode entrar em um hotel cinco estrelas e pode dar de gorjeta, depois de tomar os seus uísques, R$ 100,00 não é nada. Mas dê R$ 100,00 na mão de uma mãe para você ver a multiplicação dos pães que ela faz”, disse o presidente durante discurso na inauguração de uma unidade da Sadia em Vitória de Santo Antão (PE).
No discurso, o presidente lembrou que 52% dos beneficiários do Bolsa Família são do Nordeste. Segundo ele, são quase 6 milhões de famílias, ou seja, 44% do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Social vai para o Nordeste.
Esta não é a primeira vez que o presidente diz que o Bolsa Família não é esmola. Em maio do ano passado, durante discurso de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Piauí, Lula disse que o Nordeste é a parte do Brasil que mais cresce e, por isso, o consumo também está aumentando.
Sacrifício será curto
Lula falou ainda ontem em “sacrifício”, ao comentar os efeitos da crise econômica mundial no Brasil. “Agora, temos problemas no setor de exportação. Principalmente no setor de máquinas e automóveis. Isso tem caído. Estou convencido de que o sacrifício que o povo brasileiro vem fazendo será de curta duração”, afirmou Lula. “Porque quem importa fruta, carne e soja do Brasil sabe que tem de continuar comprando, vai continuar importando”, acrescentou, em entrevista ao programa “Supermanhã”, da Rádio Jornal, respondendo sobre a crise da fruticultura irrigada no Vale do São Francisco (PE).
De acordo com Lula, o setor de exportação é “vital” e é nessas horas que o governo tem de entrar para atuar, seja por meio de medidas da administração federal, do Banco do Brasil (BB) ou do Banco do Nordeste (BNB) para rolar “dívidas dos companheiros e não permitir que o sufoco venha matar afogados os que apostaram e trabalharam o tempo inteiro”.
No fim da manhã de hoje, o presidente inaugurou uma fábrica da Sadia, a primeira da empresa no Nordeste, em Vitória de Santo Antão, na região metropolitana do Recife. Para Lula, a inauguração é um ato simbólico porque, no momento em que só se fala de crise, uma companhia se instala e, com ela, “virá progresso para a região”. “Este País não tem de ter medo de crise. É como uma gripe num cabra macho, ele vai trabalhar e não perde um dia de serviço por causa da gripe. Eu quero mostrar que existe uma crise, ela é grave, (o presidente dos Estados Unidos, Barack) Obama e os alemães têm mais problemas que o Brasil e nós vamos enfrentar essa crise trabalhando”, disse o presidente.
Lula também falou sobre sua forma de agir para enfrentar a crise. Ao ser indagado sobre se tomou medidas a tempo, o presidente respondeu que é uma “asneira profunda” dizer que ele demorou para enfrentar os efeitos da crise no País.