Após 10 dias de luto pelo falecimento do chef de cozinha José Roberto Pópolo, 63 anos, a Cantina Del Pópolo volta oficialmente a funcionar a partir de amanhã, para manter a tradição de uma das casas de culinária italiana mais famosas de Bauru e região. Ainda que abaladas após a perda do patriarca da família, a viúva Neide e a filha caçula Karina Pópolo decidiram assumir a cantina e dar seqüência ao trabalho que Pópolo desenvolveu em Bauru ao longo de 23 anos.
“Ainda está sendo muito difícil lidar com a ausência dele, mas temos uma responsabilidade com os funcionários da casa. Além disso, acredito que voltar ao trabalho irá nos ajudar a ocupar a mente e também será uma forma de manter viva a memória do meu pai”, avalia Karina.
No último final de semana, o estabelecimento já havia sido reaberto, mas ainda havia uma indefinição sobre o futuro dos negócios e poucos clientes foram informados. “Minha mãe abriu no sábado e no domingo porque tinha contas e salário dos funcionários a pagar, mas ninguém ainda estava preparado para retornar ao trabalho”, comenta a primogênita Sandra Pópolo.
Embora Karina e Neide já estivessem diretamente envolvidas com os trabalhos no restaurante, a partir desta semana a família enfrentará o desafio de descobrir como será receber os clientes sem a presença marcante e carismática de Pópolo. Sandra conta que, há alguns anos, Neide já vinha acumulando funções na administração da cantina, para auxiliar o marido que sofria com a obesidade e o diabetes, doença que lhe custou a visão do olho direito e parte da visão do esquerdo.
“Meu pai era um show, brincava com todo mundo, criava receitas mas, principalmente quando ele ficou debilitado fisicamente, quem manteve a cantina com pulso firme foi minha mãe”, destaca Sandra.
Há cerca de um ano, Pópolo também já havia providenciado a transferência da propriedade do estabelecimento para a filha Karina que, desde os 4 anos de idade, o acompanhava nas cantorias que ele promovia para animar os freqüentadores. Em um futuro breve, a caçula pretende assumir o microfone em apresentações solo e, ao lado da irmã e pianista amadora Sandra, relembrar as músicas que embalaram as noites em família.
“Canto com meu pai desde que me conheço por gente, mas não sei como vai ser sem ter ele ao meu lado. Não será fácil, mas queremos muito que os clientes continuem freqüentando o restaurante”, afirma Karina.
‘Grife’
Pópolo morreu no último dia 15 devido a complicações decorrentes de uma infecção. Embora os filhos tenham seguido carreiras profissionais diferentes da do pai (Karina é jornalista, Sandra é funcionária pública, Marcos é músico e João Neto é advogado), a intenção é homenagear o pai através da manutenção do estabelecimento e não deixar os bauruenses ‘órfãos’ de uma casa que se tornou uma verdadeira ‘grife’ na cidade.
“Realmente, é um ponto cultural de Bauru, é mais que um restaurante e não queremos que essa história acabe. A cantina vai continuar funcionando como antes, com o mesmo cardápio, o mesmo ambiente e a mesma dedicação. Só não teremos mais a presença física do meu pai”, observa Sandra.
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Patrimônio da cidade
Estabelecida inicialmente no Jardim Bela Vista, em frente à Praça dos Expedicionários, a Cantina Del Pópolo sempre foi, segundo o chef da casa dizia, um pedacinho da Itália em Bauru. Há seis anos, foi transferida para a rua Virgílio Malta, 15-84, nos Altos da Cidade.
Com a morte do proprietário, a família agora pretende reservar um cantinho do restaurante para homenagear sua história. “Estamos pensando em expor a roupa de chef, que ele sempre usava, e fazer um acervo com todo o material que ele guardou ao longo da vida”, confessa Karina Pópolo.
Entre os documentos, centenas de livros especializados em culinária italiana, vídeos do programa “Cozinhando com Pópolo”, que ele apresentou na Rede Bandeirantes do Interior e a gravação de uma participação sua no programa “Mais Você”, na TV Globo, ao lado da apresentadora Ana Maria Braga.
Estes registros, segundo Karina, guardam em imagens toda a alegria e bondade que eram tão presentes na personalidade de Pópolo. “Ele via a vida de uma maneira tão bonita que dizia que, quando uma pessoa morria, recebia o grande prêmio, que era descobrir como era o lado de lá. Então acho que ele deve estar feliz, porque ganhou o grande prêmio de que tanto falava”, diz.