Bairros

Nova “casa” do veterinário andarilho depende de ajuda

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Comunidade Terapêutica Vida e Paz, “nova casa” do veterinário andarilho Marcelo Carlos de Almeida, 42 anos, depende exclusivamente da boa vontade da iniciativa privada para manter seu mais popular interno, além de outros 30 “anônimos”, que também estavam na rua e antes de serem acolhidos pela entidade nunca tiveram qualquer oportunidade de sair dela.

Há três anos, a comunidade tenta cadastrar-se junto à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), mas tem o pedido indeferido pelo Conselho Municipal de Assistência Social. O aval do órgão é o primeiro passo necessário para que a entidade seja considerada, de fato, filantrópica. As tentativas não têm êxito porque os investimentos são altos, informa o presidente da entidade, Francisco Molina. De acordo com ele, todo o quadro técnico mínimo deve ter registro em carteira. No entanto, lá a maioria presta serviço voluntário.

Não é o caso da assistente social, cuja contratação é regular. Os gastos mensais chegam a R$ 8 mil para manter 1.600 metros quadrados de área construída, num terreno de 4 mil metros quadrados, cedidos pela Creche Bom Samaritano (por aluguel simbólico). Só em obras já foram investidos R$ 200 mil.

“Tiro dinheiro do meu bolso, peço a amigos. No ano passado, perdi a doação de 40 computadores porque não tenho o registro”, comenta o presidente da comunidade. Segundo ele, todas as vagas oferecidas são gratuitas. Mas quando a família do interno pode, colabora com recursos.

Ela conta com uma pequena academia, horta e atividades como musicoterapia. A programação é conduzida por cerca de 30 voluntários. O número pode aumentar porque a comunidade pretende construir um prédio específico para adolescentes e outro para mulheres com dependência, serviço não oferecido pelo município atualmente. Mais uma vez, Molina baterá às portas da iniciativa privada. Precisará de R$ 100 mil.

“Este é último ano que tentaremos o registro. Caso contrário, continuaremos assim”, explica. Sem o registro, os empresários que ajudam não conseguem recibo para abater o investimento no Imposto de Renda (IR), acrescenta Molina. O contato da Comunidade Terapêutica Vida e Paz é (14) 3011-7702.

Regras

As exigências impostas às entidades dispostas a trabalhar com dependentes químicos estão previstas em lei federal e devem ser cumpridas pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), explica a titular da pasta, Darlene Têndolo. Por essa razão, ela só pode aceitar inscrições com o crivo do Conselho de Assistência, formado por membros da sociedade civil e poder público.

Para o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubiraraja Maintinguer, o que a Comunidade Terapêutica Vida e Paz considera como burocracia são trâmites necessários, que servem como garantia do serviço. Já queixas com relação às dificuldades na obtenção do registro não chegaram ao promotor da mesma área, Lucas Pimentel.

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Visita ao médico

Acompanhado da amiga e colega de profissão Eliana Cristina Ribeiro, o veterinário andarilho Marcelo Carlos de Almeida, 42 anos, esteve ontem numa unidade de saúde municipal por onde passou por avaliação médica. Na próxima semana, passará por uma bateria de exames. “Fomos muito bem atendidos. O médico receitou um medicamento porque ele não consegue dormir à noite”, conta Eliana.

De acordo com ela, Marcelo já voltou a se alimentar normalmente. Quando chegou à Comunidade Terapêutica Vida e Paz, vomitava após as refeições. “Agora, está melhor e está adorando a comida. É um trabalho bonito que é feito lá. Eu e meu filho vamos passar a Páscoa com ele”, comenta. Ela explica que Marcelo ainda tem alucinações, dor de cabeça e tremores. Ela está às voltas com a lista de material que deve ser enviada à entidade. Outras informações pelos telefones (14) 9115-0640 e 9749-0665.

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