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Dr. Automóvel: Servofreio

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Quem já dirigiu carro antigo sem servofreio (também conhecido como freio a vácuo ou apenas hidrovácuo) e teve que colocar todo o peso do corpo sobre o pedal para fazer a viatura parar, sabe da importância deste equipamento. Como o próprio nome diz, o servofreio é um equipamento que auxilia o esforço de frenagem, amplificando a força exercida sobre o pedal.

Como ele funciona? É um equipamento redondo metálico que fica situado dentro do compartimento do motor, bem à frente do motorista, no painel de fogo. O servofreio é ligado por uma haste ao pedal de freio, tendo na sua frente o cilindro mestre, que aciona o circuito hidráulico dos freios. É composto de duas câmaras internas estanques, separadas por um diafragma de borracha. Na câmara dianteira existe uma válvula de vácuo que é ligada ao sistema de admissão do motor, que aspira todo o ar de dentro da câmara, mantendo-o em vácuo.

Ao se pisar no pedal do freio, empurra-se a haste de conexão e abre-se a válvula de admissão de ar atmosférico, permitindo a entrada deste dentro da câmara. O diafragma se move então, pela diferença de pressão entre as câmaras, multiplicando a força de acionamento da haste e empurrando o eixo do cilindro mestre. Ao ser pressionado, o pistão interno do cilindro mestre empurra o óleo do sistema de freio, que irá pressionar as pastilhas e lonas sobre os discos e campanas, freando o veículo. Quando a pressão sobre o pedal é aliviada, molas fazem com que o sistema volte à posição original, rearmando o sistema para auxiliar o motorista na próxima freada.

Parece tudo muito simples, mas é um sistema bem complexo e de manutenção rigorosa, por se tratar de um item de segurança. Muita gente não dá o valor adequado ao sistema e o relega ao descaso. Enquanto estiver brecando, não se faz nada, vai-se levando. Mas na hora que precisar dar uma freada brusca, sem o servofreio, vai ver as conseqüências.

Em tese, a falta de um servofreio não impede ninguém de frear um veículo, da mesma forma que a falta de uma direção hidráulica não impede o esterçamento. Só que o esforço para a manobra fica muito maior e pesado. Da mesma forma, ambos os sistemas servo-assistidos (de direção e freio) só funcionam com o motor ligado, pois ele é a fonte de sua energia. No servofreio o vácuo é retirado do sistema de admissão do motor, onde o ar sugado pelo motor cria uma depressão no coletor de admissão e esta depressão é usada para gerar o vácuo nas câmaras internas do servofreio. Ao desligar o motor, cessa a depressão no coletor e consequentemente, a geração de vácuo no servofreio.

A aplicação do servofreio atualmente é bem ecumênica, pois todo tipo de veículo de quatro ou mais rodas o usa. Em motos o sistema não se faz necessário pelo menor peso do veículo e maior eficiência dos freios. Alguns veículos de carga pesados possuem sistemas de bombas de vácuo auxiliares elétricas para garantir o funcionamento do sistema de freios mesmo em caso de pane do motor. A maioria dos veículos extrapesados já usa um sistema de servofreio pneumático, que trabalha com ar comprimido ao invés de vácuo, com os mesmos resultados operacionais, mas independente do funcionamento do motor, portanto mais seguro.

Após seu período de vida útil normal, é comum o servofreio perder a eficiência e ficar mais pesado ou fazer barulho, do tipo de um chiado. Isto significa que o diafragma está perfurado e permite a passagem de ar de uma câmara para outra, perdendo eficiência. Nesta hora, precisa levar o veículo a uma boa oficina especializada e trocar o reparo interno do servofreio, como o diafragma, molas e válvulas, restaurando o equipamento e deixando-o pronto para o funcionamento seguro.

Mas cuidado com os manés de esquina, “especialistas” que se metem a trocar peças usadas por outras “quase novas” e te vendem o serviço mais barato. Desconfie de milagres, use peças de boa procedência, pois sua segurança não tem preço. Na hora que precisar pisar com força no pedal e freio, a última coisa que vai querer saber é o nome da mãe do bendito mecânico que te colocou as peças recondicionadas ou fajutas no teu carro. O que realmente importa é que o veículo pare com segurança e que tudo funcione dentro do esperado.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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