Quem ainda marca cabeleireiro de acordo com a fase da lua ajuda a propagar um mito, na avaliação do professor de astronomia Luiz Antônio Vianna Guimarães. De acordo com ele, o cabelo cresce um centímetro por mês, independentemente da época do corte. A informação já foi confirmada em pesquisa de médico brasileiro, diz Guimarães. Ele aproveita o Ano Internacional da Astronomia para, em suas aulas, desmitificar idéias sem embasamento científico ligadas aos astros.
No ano em que se comemora os quatro séculos desde as primeiras observações telescópicas feitas por Galileu Galilei, há quem acredite ainda na influência do céu no nascimento das crianças. Não é incomum a gestante acompanhar a virada da lua numa tentativa de se precaver para o nascimento do rebento. “Mas uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande Sul provou que não há influência”, diz.
Para o professor, tais mitos foram criados pelos homens na tentativa de explicar a realidade. A astronomia é a mais antiga das ciências. Descobertas arqueológicas demonstram que observações astronômicas eram feitas já entre os povos pré-históricos. Desde a Antigüidade, o céu vem sendo usado como mapa, calendário e relógio. Os astros também eram estudados para prever a melhor época para o plantio e a colheita. No entanto, segundo Guimarães, a colheita não será maior se o produtor semear na lua cheia.
“Não serão mais abundantes se as sementes forem plantadas em algumas fases. Também não tem mais assalto na lua minguante. Faziam essa relação porque neste período as noites são mais escuras. Os reis magos também não seguiram um cometa até chegar em Belém. Era o planeta Júpiter que estava mais visível no céu. Cometa não é sinal de mau agouro”, ressalta.
Guimarães ainda informa que cientistas destruíram a tese de que suicídios ocorriam mais na lua cheia. Estudos realizados com a avaliação de 1.400 casos ao longo de um ano mostram que as pessoas tiram mais a própria vida na lua nova, quando a luminosidade é menor. “Há ainda quem olhe para a lua e enxergue a figura de São Jorge, pronto para ajudar no que for preciso. Mas não é real”, conclui após contar o caso de uma senhora no Interior do Mato Grosso que ficou decepcionada ao não encontrar o santo, depois de emprestar a luneta do professor para observar a lua.