Quem disse que um dentista não pode também ser um apaixonado pelas literaturas?… Não o sendo exatamente, um apaixonado, já Rubicundo Loachimín (o médico dentista, anárquico convicto, cujos métodos primitivos de tratar dentes não conseguiam afugentar-lhe a clientela por falta de alternativa, do célebre romance "O Velho que lia Romances de Amor", de Luís Sepúlveda) trazia a António José Bolívar (o velho) os romances que o faziam sonhar com mundos tão diferentes da sua amada Amazónia.
Ao contrário do paciente de Rubicundo, homem idoso, que gostava de poupar a dentadura postiça para a não desgastar, colocando-a apenas para comer ou falar – tal como alguém com a vista cansada faz com os óculos que usa só para ler, os pacientes de Renato Savy de Carvalho podem depois de descer da sua cadeira reclinável sorrir ainda mais, só para mostrar o belo sorriso conseguido à custa de horas e horas de concentração dedicação e precisão, num trabalho que o apaixona, assim como o apaixonam a literatura e a música. A estas, vai ele, sabiamente, buscar temas de conversa para fazer ‘viajar’ para longe os seus pacientes enquanto lhes embeleza o sorriso…
E então, se calha a ser português, o candidato ao belo sorriso do ano tem ali, neste singular professor universitário, oportunidade para reviver e revisitar Pessoa, Eça, Camões ou Saramago, Amália ou Marisa...
Conhece-os como se fossem da família, como só os verdadeiros apaixonados da literatura o sabem fazer. Recita-os ou trauteia-os como se tivesse acabado de partilhar com eles o seu pequeno-almoço.
E, em consequência, as horas de tratamento parecem, aos seus pacientes, minutos que voam à velocidade do carinho, ternura e atenções com que os presenteia enquanto lhes faz um implante, sempre acompanhado da carinhosa e dedicada doutora Ana Paula.
Sente-se que é um dom de família! Sente-se que é a herança genética de quem sempre conviveu de perto com a cultura, a literatura, a música, a arte, não querendo separá-las da sua vida profissional. E é tão envolvente! E está tudo ligado!… A família, a profissão, o conhecimento, o saber, a cultura, a literatura, a música, a saúde, a beleza… Tudo! A consequência é transformar a sala de tratamentos num espaço multicultural, aprazível e aconchegante, acolhedor e contagiante que nos anestesia e encanta… Que nos faz querer regressar… Melhor é Impossível!!
Maria do Sameiro