Turismo

Arquitetura inca resiste no ‘umbigo do mundo’

Da Redação
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Em quíchua, Cuzco significa “umbigo do mundo”, nome mais do que apropriado para a antiga capital do império inca, de onde partia uma vasta rede de caminhos que conectava a América do Sul.

Um esplendor em boa parte destruído com a chegada dos espanhóis, que ergueram prédios coloniais onde antes estavam templos e outras intrincadas construções incaicas - e deixaram o centro de Cuzco com a cara de algumas cidades do sul da Espanha.

Mas algo da marcante arquitetura original resistiu. A começar por um muro que percorre várias ruas da região central, montado com pedras cuidadosamente encaixadas para resistir a terremotos. “Quanto maior o número de ângulos nas pedras, mais resistente a construção”, explica a guia de turismo Maria Lozano.

Desde a época áurea dos incas, a Praça das Armas é o ponto principal da cidade. Se de dia o local esbanja beleza, à noite vira um espetáculo, todo iluminado, com várias construções coloniais ao redor. Uma delas é a catedral erguida em 1700 sobre um palácio inca.

No Convento de Santo Domingo, parte do templo de Qorikancha foi mantida. Ali, segundo a guia, havia paredes inteiras forradas de ouro. Seria fácil conhecer tudo a pé se não fosse por dois probleminhas. Cuzco fica a 3.360 metros acima do nível do mar, o que faz qualquer caminhada parecer uma maratona. Para minimizar os efeitos do ar rarefeito, recomenda-se descansar por pelo menos duas horas ao chegar na cidade e tomar muito chá de coca.

Por isso, caminhe devagar. Não tenha pressa para conhecer o centro da cidade e os arredores, com ruínas e aquedutos que resistiram ao tempo.

Caso de Tambomachay (até hoje os aquedutos montados pelos incas jorram água); Pukapukara, uma espécie de labirinto natural cheio de grutas e pedras, utilizado pelos incas em cerimônias de sacrifício, e Saqsaywaman, que foi uma fortaleza militar.

Machu Picchu

A madrugada vai marcar sua visita ao Peru. Se você chegou de madrugada em Lima, saiba que também de madrugada partirá de Cuzco para Machu Picchu. O trem parte bem cedo e é preciso acordar antes do sol nascer.

Há várias classes no “Expresso Oriente”. A intermediária dá direito a um lanche completo, desfile de moda a bordo e paradas nos vilarejos (ninguém desce, mas é possível fazer compras através das janelas do comboio).

A locomotiva sai de Cuzco e percorre 111 quilômetros até Águas Calientes. A viagem leva em torno de quatro horas (oito entre ida e volta), seguindo pelos trilhos o curso do Rio Urubamba. Conforme os quilômetros vão sendo vencidos, o cenário vai mudando de cor e de som. A vegetação rasteira dá lugar à densa floresta tropical. Já em Águas Calientes, um pequeno povoado repleto de barracas de artesanato, é preciso pegar o ônibus que leva à entrada do santuário. Mais 20 minutos por uma sinuosa estrada e chega-se à base da cidade dos incas.

Deixe as mochilas guardadas na recepção do parque e respire fundo. Você terá que ter muita força nas pernas para subir e descer escadas e mais escadas para conhecer as ruelas de pedra da cidadela mágica.

Uma das sete maravilhas do mundo, Machu Picchu foi construída pelos incas a 2.400 metros de altitude. Um lugar místico, rodeado por profundos cânions e montanhas cobertas de vegetação que ficou perdida na história por quatro séculos.

Muito mais do que uma cidade de pedras, Machu Picchu é um lugar místico, sagrado. Um antigo centro religioso e observatório astronômico redescoberto em 1911 pelo explorador americano Hiram Bingham, resumo da engenhosidade e da grandeza do povo inca.

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