Numa das últimas pescarias que fiz no rio Aquidauana, aconteceu um fato curioso que descrevo para os amigos leitores e amantes da pescaria. Uma tarde, após um breve cochilo depois do almoço, resolvemos descer o rio por mais ou menos uns três quilômetros para fisgar uns pacus. Aquele lugar era o mais indicado em virtude de uma árvore que produz uns frutinhos vermelhos que caem constantemente na água.
Convidei o Toninho Canela, conhecido também pela alcunha de Toninho Sinuca, para me acompanhar até esse lugar, porque não costumo sair sozinho na pescaria. Descemos o rio até o local desejado e começamos nossa pescaria. Era uma tarde muito quente e abafada, mas estávamos debaixo dos galhos dessa árvore. E tivemos sucesso porque embarcamos um peixe atrás do outro e, com isso, não percebemos o passar das horas.
Quando resolvemos retornar para o acampamento, por mais que tentássemos, não conseguimos dar partida no motor, que não pegou de jeito nenhum. Aí, a única solução foi esperar alguns pescadores que estavam mais para baixo. Quando eles passassem por lá, a gente pediria socorro.
Foi quando disse para o Canela que tentaria pegar um peixe de couro enquanto esperava socorro. Tirei minha vara para peixe grande, caprichei na isca e arremessei. Não demorou nada, senti uma puxada e fisguei. Quando percebei a resistência do outro lado, vi que não era um peixe pequeno, porque o danado fazia força que conseguia mexer com o bote. Aí, quando não estava agüentando mais aquela luta com o peixão, resolvi desamarrar o bote e ir administrando aquela situação.
O peixe começou a arrastar o bote e eu segurando firme do outro lado. Por incrível que pareça, ele começou a arrastar o bote em direção ao acampamento. Fiquei atento. Quando passou por uma curva, vi o acampamento do lado esquerdo do rio. Quando ele estava passando defronte ao acampamento, não me restou outra alternativa: saquei de uma faca que carregava comigo, cortei a linha e deixei o bichão ir embora, mas sem antes agradecer pela carona e ajuda que ele me deu.
Se algum colega pescar encontrar um jaú de mais ou menos 90 quilos com um anzol na boca e um pedaço de linha, por favor, tire o anzol e solte o bicho, porque ele já fez uma boa ação e merece viver bastante! Quem duvidar, pergunte ao Canela que ele confirma tudo.
Domicio Iamashita advogado, pescador e contador de histórias