Confira a seguir os principais trechos da entrevista que Ivete Sangalo concedeu ao JC Cultura, por telefone, nesta semana.
JC Cultura - Esse vai ser seu primeiro show em cima de trio elétrico em Bauru. É bastante diferente do show no palco, não?
Ivete Sangalo - O repertório é basicamente o mesmo do palco, com algumas pequenas diferenças. Como é trio elétrico, eu castigo mais no galope, o show é mais carnavalesco. No palco, eu sigo o roteiro, tem os figurinos, os cenários, e no trio elétrico eu fico mais livre e até mais próxima dos meus fãs. Essencialmente, tem algumas inserções, coloco coisas que me dão na telha cantar. Eu lembro de alguma coisa e vou, canto aquela música, volto para meu roteiro, mas fico muito livre. O show vai ser bem carnavalesco!
JC Cultura - Você estreou o trio Demolidor 3.0 no Carnaval deste ano. O que ele tem de especial?
Ivete - O que mais conta para nós é o potencial do trio elétrico, como máquina mesmo. O som do trio é de altíssima qualidade, o alcance da música é muito maior pela tecnologia que existe no Demolidor 3.0. Ele tem um espaço físico maravilhoso, é maior do que os trios comuns. O lugar onde fica a banda é infinitamente maior, tanto é que neste ano, eu quase não usei a frente e o fundo do trio, porque tinha espaço suficiente. E tem um camarim chiquérrimo! (risos) Ele é lindo, feito todo de alumínio, 60 toneladas mais leve do que outros trios, é ecologicamente correto, usa biodiesel. Enfim, é um sucesso!
JC Cultura - Como estão os preparativos para o lançamento do novo CD e DVD, “Pode Entrar”? Eles chegam às lojas juntos?
Ivete - Não, primeiro sai o CD, agora em maio, e em seguida o DVD, no início de junho. O CD já está todo mixado e está indo para masterização. Estávamos discutindo quantas músicas colocaríamos no CD e no DVD, mas decidimos que vai igual. Se não me engano, são 16 músicas e está tudo quase pronto. Estamos só esperando essas coisas técnicas, a masterização... Mas a capa já foi concebida, com toda a parte gráfica do CD e do DVD. Agora, estou finalizando uns extras para fazer um recheiozinho do DVD.
JC Cultura - Esse projeto foi todo gravado na sua casa?
Ivete - Foi. Porque foi assim: eu fiz um estúdio na minha casa e fiquei olhando aquilo tudo, ensaiando com a banda... Fui gravar umas coisas com o Radamés (Venâncio, pianista de Ivete). E o estúdio ficou lindo, esteticamente. Em termos de qualidade, ficou melhor do que eu imaginava. E a idéia deste ano era gravar um disco de estúdio, aquela coisa que, supostamente, fica mais fria, apesar de não ser, porque a gente se entrega totalmente também dentro de um estúdio. Mas pensei: em tempos de DVD, seria um presente para meus fãs me mostrar gravando em estúdio, como é o processo, a interação com os músicos e os compositores, enfim, todo o caminho para se fazer um disco. E ficou lindo!
JC Cultura - No disco, você tem participações de Lulu Santos, Marcelo Camelo, Maria Bethânia... Quem mais?
Ivete - Lulu, Marcelo, Bethânia, Aviões do Forró, Carlinhos Brown, Saulo Fernandes, da banda Eva, e Mônica Sangalo, minha irmã. Além da minha banda, que participa de todo o DVD, gravou todas as músicas, e alguns músicos convidados também. Sobre as participações especiais, essas são pessoas com quem eu já tinha uma relação muito agradável, todas são muito bacanas e, em primeiro lugar, que eu admiro como grandes artistas. Por exemplo, conheço Bethânia há anos e é uma pessoa que admiro demais, gosto demais dela. Pensei: puxa, o próximo projeto que eu fizer, vou chamar Bethânia. Ela topou e foi lindo. O mesmo aconteceu com Lulu, com Brown, e por aí vai...
JC Cultura - Depois do sucesso de “Cadê Dalila?”, você já está mostrando alguma música nova nos shows? Já sabe qual faixa deve divulgar o novo projeto?
Ivete - Na verdade, “Dalila?” saiu para o Carnaval e continua como nosso carro-chefe. Mas eu digo que tem uma coisa boa: estamos na dúvida, meu irmão, entre uma música e outra música. Tem essa coisa maravilhosa, porque tem bastante material para lançar. E aí, cada um vota em uma música para trabalhar! Mas nos shows, ainda não estamos mostrando nenhuma música nova. Quando sair o disco, aí vamos começar.
JC Cultura - A versão que você fez de “Burguesinha”, do Seu Jorge, e cantou no Festival de Verão de Salvador, neste ano, repercutiu bastante, até tocou em rádio.
Ivete - Ficou uma delícia, né? Eu gosto dessa área do Seu Jorge, ele é um cara de balanço. Já tinha ouvido a música: muito tempo atrás, fui dar uma canja e ele cantarolou rapidamente para mim. E tocando com a banda, eu fiz a minha versão, que fala que ela vai para a Bahia. E ficou muito gostoso, não é?
JC Cultura - A idéia da gravação de um show no Madison Square Garden, em Nova York, em que pé ficou?
Ivete - Vai rolar, vai rolar! Não sabíamos exatamente o que ia se suceder com essa questão da economia no mundo - porque é um investimento altíssimo, não só nosso, do ponto de vista financeiro, mas também emocional -, então achamos mais prudente pegar esse ano como experiência dessa situação, ver a poeira abaixar e deixar o projeto para o ano que vem, no primeiro semestre - provavelmente em maio. Mas eu confirmo essa data em um futuro próximo.
JC Cultura - Como você imagina esse show?
Ivete - O que vem à minha cabeça é a facilidade de um palco glamouroso, especialmente do ponto de vista técnico. Temos milhões de possibilidades, porque os americanos têm um trato de show business de uma maneira diferenciada, eles têm o hábito de fazer isso. O palco do Madison Square Garden oferece milhões de possibilidades, mas acima de tudo, a possibilidade de ter a comunidade brasileira do Exterior presente nesse evento, porque eles me prestigiam muito, sabe? Vai ser uma alegria fazer um show em outro país e pegar o mercado internacional, de uma forma diferenciada. Enfim, são várias idéias.
JC Cultura - Você faz planos a longo prazo para sua carreira?
Ivete - Honestamente, não. Não consigo fazer isso, não. Isso cheira a premeditação e tenho um pouco de resistência a coisas premeditadas. Eu gosto de planejar coisas. Para você ter uma idéia: estou planejando o Madison e coisas para esse show, mas são coisas concretas. Mas para daqui a dez anos, não... Acho meio paranóia. Eu quero estar cantando! Mas onde e como...
JC Cultura - O que ainda falta para você se realizar como artista?
Ivete - Olha, eu vou lhe falar. “Me realizar” seria uma sacanagem com tudo o que já aconteceu comigo, porque eu vivo diariamente a realização. Acho que o que não pode faltar para mim é cantar, eu gosto demais de cantar, e sou muito grata por tudo o que já me foi dado de amor, de reconhecimento... Não diria que me falta alguma coisa. Diria do que sentiria falta: de cantar.