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Pedaços de avião cargueiro caem sobre casas em Manaus

Por Folhapress | AE - Liege Albuquerque
| Tempo de leitura: 2 min

Manaus - A carenagem (capa) da turbina de um avião cargueiro caiu por volta das 2h da madrugada de ontem sobre uma casa no conjunto Terra Nova 2, na zona leste de Manaus. O pedaço maior da fuselagem, com cerca de um metro e meio, chegou ao solo em chamas e caiu sobre a sala de uma casa e rolou em um barranco, colidindo com um carro.

Pedaços menores da fuselagem atingiram cerca de outras dez casas e dois carros, segundo o Corpo de Bombeiros. Não houve vítimas no local e o avião desceu em segurança uma hora mais tarde no aeroporto de Bogotá, na Colômbia.

O avião DC-10 tinha quatro tripulantes e pertence à empresa Arrow Cargo. A reportagem entrou em contato com a representação da empresa em Manaus, mas não houve retorno aos telefonemas.

“Quero ver quem vai pagar meu conserto”, disse o industriário Mariovaldo Souza, 52 anos, que teve a frente do carro furada por um pedaço da fuselagem. Até as 16h de ontem, nenhum funcionário da empresa tinha entrado em contato com os moradores que tiveram suas casas ou veículos atingidos, embora a fuselagem já estivesse sendo retirada do local.

Segundo a Infraero, ao receber as informações sobre a queda da fuselagem, a torre de comando do aeroporto acionou os quatro tripulantes do cargueiro, determinando que não havia necessidade de interromper o vôo.

A assessoria de comunicação do Centro Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Ceripa) informou que será de responsabilidade do órgão as investigações sobre o acidente.

Como uma bomba

“Ouvi um estrondo, como se fosse uma bomba. Achei que era a Terceira Guerra Mundial.” Foi assim que a dona de casa Sandra Maria de Oliveira, 40 anos, definiu o momento em que parte de um motor do DC-10 caiu em sua casa, destruindo a parede e danificando o telhado. Ela, o marido Raimundo Enézio Santos de Souza, 35 anos, duas filhas e a sobrinha dormiam no momento e se assustaram com o impacto. Sandra Oliveira é deficiente física e não pôde socorrer as crianças. Foi Souza quem as ajudou. “Passei uma agonia muito grande. Era fumaça e poeira. Mas foi um milagre”, disse.

Da casa da família de Sandra Oliveira, a peça do motor do DC-10 continuou rolando. Parou a 30 metros de onde mora a doméstica Aparecida de Lima, 52 anos. Dormiam ela, a filha de 24 anos, e dois netos, de dez e dois anos. “Senti um impacto horrível, abri a janela e vi uma bola pegando fogo, alguma coisa do outro mundo. Parecia um extraterrestre. Então, apaguei as luzes e fiquei no escuro.”

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