A eventual candidatura de Paulo Skaf ao Palácio dos Bandeirantes já é um incômodo para outros postulantes. Por essa razão, seu nome e o da Fiesp teriam sido envolvidos na ‘Operação Castelo de Areia’ da Polícia Federal (PF). De forma sutil, a relação foi traçada pelo próprio Skaf que, em Bauru, abordou o assunto publicamente pela primeira vez.
“Eu penso que realmente há muita gente que se preocupa quando alguém novo, com propostas novas, com seriedade, que busque prestar serviço ao País com legitimidade, com honestidade. Eu acho que incomoda algumas pessoas porque esse assunto (operação Castelo de Areia) está tomando um formato totalmente errado e eu não tenho nada haver com ele”, disse em entrevista coletiva ontem.
Segundo pesquisa Datafolha de intenções de voto nas eleições 2010, divulgada no último domingo, Skaf aparece com 1% na maior parte das simulações. O percentual não difere muito de candidatos como Antonio Palocci e Campos Machado. “Não me apresentei como candidato, não tenho filiação partidária e nunca tive”.
“A Fiesp trabalha 100% dentro da lei. Não temos ingerência, nem qualquer responsabilidade sobre essas empresas. O que é normal em período eleitoral é que somos muito assediados por candidatos que nos pedem ajuda. Nós não podemos fazer nada pela entidade, nem fazemos. Nenhum tostão entra ou sai da Fiesp. O que nós podemos fazer para não dar as costas a políticos sérios é um gesto”, garante.
O gesto seria sugerir a empresas que os ajude. É o que aconteceu com o senador Flexa Ribeiro (PSDB), ex-presidente da Federação das Indústrias do Pará, e do senador José Agripino Maia, presidente do Democratas do Rio Grande do Norte. “O que fizemos foi um gesto no sentido de sugerir à empresa que, se pudesse, se quisesse, dentro da lei, com recibo, pudesse ajudar esses dois partidos”, destaca.
Skaf também ressalta que a lei prevê a possibilidade de empresas, legalmente, apoiarem campanhas eleitorais. Ele e a Fiesp são citados em diálogos interceptados de executivos da Camargo Correia pela PF. A operação investiga a Camargo Corrêa, suspeita de fazer doações ilegais para partidos políticos, superfaturar obras públicas e enviar ilegalmente dólares para o Exterior.
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Lentidão
A reação do governo brasileiro frente à crise financeira mundial ocorre numa velocidade e numa intensidade inferiores às necessárias, segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
“O Brasil tem munição porque nós temos juros elevados, então tem espaço para baixar. O Banco Central cobra compulsórios altíssimos, então tem reserva de valores grande. O crédito é pequeno, então tem espaço para crescer. Têm as reservas cambiais que podem ser utilizadas e a inflação sobre controle. Se temos essas munições, temos que utilizá-las rapidamente. Senão, vamos ficar com munição guardada e a crise nos atingindo”, explica.
De acordo com ele, tudo o que o governo federal fez foi correto, mas moroso. Exemplo de lentidão seriam as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontecem a cada 45 dias. Na opinião de Skaf, em tempos de crise, deveriam ser agendadas a cada 15 dias. Ele ainda defende a taxa Selic entre 7% e 8%. “Hoje é 11,25%. A mesma que estava em julho do ano passado, quando não havia crise. Não poderia ser mais de 3% de juros reais”, acrescenta.
Para dimensionar a importância das respostas que a União precisa dar, Sakaf cita a queda do Produto Interno Bruto (PIB). “No último trimestre do ano passado, tivemos uma queda de 3,6%. Considerando que nós crescemos no terceiro trimestre do ano passado 1,7%, a variação é de 5,3%. A segunda maior queda do mundo. Só na Coréia do Sul foi maior do que a nossa. Lógico que há uma crise”, afirma.
Especialmente neste período, uma de suas batalhas será a busca pela desoneração dos alimentos. “Entrei nessa cruzada porque é importante para o Brasil. A Fiesp tem que defender os interesses do Brasil. Quando fui candidato a presidente da Fiesp me comprometi com isso. A CPMF não era só a indústria que pagava. Afetava toda a sociedade brasileira”, conclui.